Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior
Enviada em 07/08/2020
A Gerúsia era um dos conselhos políticos de maior importância em Esparta, formada por idosos responsáveis por decidirem o futuro da cidade-estado, sendo tal órgão um reflexo do respeito dessa sociedade com seus anciãos. Esse clássico panorama, no entanto, difere da realidade dos idosos do Brasil os quais enfrentam grandes desafios no acesso ao ensino superior causados pela sensação da falta de pertencimento ao sistema de ensino e pelo preconceito existente no mercado de trabalho.
A princípio, a matriz do problema é evidenciada ao analisar a falta de pertencimento do idoso como um dos principais obstáculos à inclusão dessa população no ensino superior. Isso acontece quando o próprio cenário da educação acadêmica no país assume uma postura extremamente segregacionista ao direcionar, na maioria dos casos, o foco de sua abordagem ao jovem estudante. O problema disso é que essa atitude das próprias instituições incutem à parcela expressiva de idosos do país a sensação de não adequação ao mundo acadêmico, criando assim um efeito repulsivo com os senis. Esse cenário fica ainda mais evidente na abordagem da publicidade de acesso ao ensino superior, como o ENEM que ignora seus quase 15.000 candidatos, segundo dados do INEP, em suas propagandas todos os anos. Isso revela como um cenário excludente contribui com o afastamento de idosos das faculdades.
Além disso, o problema se agrava ainda mais ao analisar, também, o preconceito existente no mercado de trabalho como agente dificultante à inclusão idosa nas faculdades. Isso decorre do fato de que a parcela idosa da população tem na sua idade um fator limitante para na candidatura por uma vaga já que, para a maioria das seleções, o que acaba por desestimular o idoso a seguir uma nova carreira por conta do medo da rejeição pelas empresas. Esse triste cenário é comprovado em levantamento feito pelo Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (IPEA) que deixou claro a tendência do mercado em optar por profissionais mais jovens em detrimento dos candidatos próximos à terceira idade. A partir disso, é possível inferir que a rejeição pelas profissões que almejam contribui com o afastamento dos idosos da educação superior.
Portanto, é preciso acabar com os desafios enfrentados pelos idosos no acesso à educação superior. Com isso, cabe ao Estado a tarefa de transformar o ambiente acadêmico num espaço inclusivo por meio da expansão da publicidade das faculdades e vestibulares para o público idoso que deseja o ingresso, além de criar cotas para pessoas com mais de 65 anos vindas da rede pública de ensino com o objetivo de atrair os idosos às universidades. Além disso, o Estado, também, deve valorizar tal população no mercado de trabalho por meio de parcerias com as empresas, concedendo incentivos fiscais em troca da admissão de idosos no quadro trabalhista para estimular o ingresso nas intituições.