Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior
Enviada em 04/08/2020
De acordo com o IBGE, o número de pessoas da terceira idade cresce nas universidades brasileiras. Entretanto, percebe-se que esse acréscimo ainda não é tão elevado em comparação aos outros países, como: Suíça, Canadá, Noruega. Isso ocorre devido à banalização dos idosos pela sociedade e ao pouco incentivo das faculdades a esse grupo.
A princípio, para o sociólogo polonês Zigmund Bauman, vivemos em um tempo líquido, no qual tudo que é velho não serve mais. Esse pensamento não é diferente em relação aos idosos, pois para a sociedade brasileira as pessoas dessa faixa etária são consideradas inabilitados, isto é, “velhas”. Logo, a inclusão dos membros da terceira idade no ensino superior é desvalorizada pelos indivíduos que fazem parte do seus cotidianos, assim, desestimulando-os a entrarem em uma universidade que pode ser muito positiva para a vida deles.
Paralelo a isso, é garantido, pela lei do Estatuto do Idoso, ofertas de cursos e programas de extensão a idosos em universidades. Ou seja, todas as pessoas dessa idade têm o direito à ingressar em uma instituição de ensino superior adequada. Contudo, na realidade brasileira, a maioria das faculdades não incentivam esse público a entrar nesse local, devido à escassez de projetos que visem à inclusão dessa parcela da população e à falta de estruturação adaptada a necessidade do idoso. Dessa forma, mesmo que esse indivíduo queira estudar, ele possui poucas opções de lugar onde realizar tal desejo.
Portanto, medidas são necessárias para diminuir os desafios da inclusão dos idosos nas universidades brasileiras. Para isso, o Governo, para aumentar o número dessas pessoas no ensino superior, deve promover palestras gratuitas em todos os locais de educação sobre a importância de não acreditar que esse público é “velho” e ,por isso, inabilitado. Sendo isso feito por meio da contratação de idosos que já concluíram a faculdade para dar essas conferências, com a intenção de reduzir o pensamento banal da população. Além disso, o Estado, para estimular a busca por mais conhecimento dessa faixa etária, deve disponibilizar verbas para que as faculdades públicas adaptem os seus ambientes a necessidade desses cidadãos e criem projetos de extensão, por intermédio da utilização de pequena parte dos impostos para esse fim, com o intuito de incentivar esse grupo a ingressar nesses locais. Tudo isso visando à garantir a lei prescrita no Estatuto do Idoso.