Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior
Enviada em 04/08/2020
A Constituição Federal de 1988 - norma de maior hierarquia do sistema jurídico brasileiro - prevê, em um dos seus artigos, o direito à educação gratuita e de qualidade para todos os cidadãos brasileiros. No entanto, ao observar os empecilhos para a inclusão do idoso no ensino superior, nota-se que, em razão dos efeitos do envelhecimento, um contingente significativo de pessoas sofre com as consequências dessa adversidade. Dessa forma, a dificuldade de utilização das novas tecnologias e à inoperância das estratégias estatais tornam-se fomentadores dessa problemática.
Em primeiro lugar, é importante destacar que a globalização proporcionou diversos avanços nos setores de comunicação e transporte no que tange uma melhor e mais rápida circulação de informações e serviços entre áreas afastadas. Porém, com a criação dessas novas tecnologias, os idosos são prejudicados, uma vez que a geração mais velha tem dificuldades em se inserir nesse meio. Nesse viés, os acadêmicos das instituições de ensino superior são majoritariamente mais novos e acabam por excluir a população envelhecida das atividades pedagógicas devido à dificuldade que eles têm com o uso dos meios tecnológicos. ]
Em segundo lugar, vale salientar a parcimônia estatal com tal situação, visto que à inoperância das estratégias estatais é um descaso com os idosos. Nesse prisma, é crucial pontuar que o Estatuto do Idoso - documento responsável por prover melhor qualidade de vida para população idosa - relata, em um dos seus artigos, que é dever da União apoiar a inclusão da população envelhecida nas universidades do país. Entretanto, apesar de algumas melhorias que visam o ingresso dessa geração nessas instituições, o mercado de trabalho prioriza a contratação de profissionais jovens em detrimento dos idosos devido a melhor qualidade da mão de obra.
Portanto, mediante o panorama exposto, é mister que o Estado tome providências para melhorar o quadro atual. Com o objetivo de combater o desafios para inclusão do idoso no ensino superior, urge que o MEC, por intermédio de verbas governamentais, crie mecanismos de inserção da terceira idade no meio educacional, mediante a formação de oficinas que visem ensinar o manuseio dos novos meios tecnológicos, no intuito de tornar esses cidadãos mais capacitados. Ademais, é necessário que o Governo Federal incentive os empregadores a contratarem esses indivíduos, pela implantação de cotas nas empresas com a finalidade de tornar os idosos ativos no mercado de trabalho. Somente assim, será possível seguir com o cumprimento correto das diretrizes da Carta Magna.