Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior
Enviada em 05/08/2020
José Saramago, em seu livro “Ensaio sobre a cegueira”, retrata a alienação da sociedade frente às demais realidades sociais. Saindo da ficção, nota-se que a situação evidenciada na obra literária pode ser observada, notadamente, no que tange aos desafios enfrentados pelos idosos na busca por sua inclusão no ensino superior tupiniquim. Isso acontece, não só devido ao tabu atribuído ao “mais velho” - pela sociedade - como sendo alguém incapaz de se adaptar à contemporaneidade, mas também se deve à ausência de incentivos governamentais, os quais deveriam visar auxiliar esse público.
É relevante abordar, a priori, que desde os processos denominados Revoluções Industriais e a ascensão ao capitalismo, a nação canarinha passou a se modernizar. Entretanto, esse fato nem sempre abrange todas as camadas da sociedade, já que, no limiar do século XXI, uma grande parte da população idosa não recebe auxílio na sua trajetória para se adequar às novas tecnologias e os novos métodos de estudo. Além disso, no âmbito educacional e trabalhista, a maioria desse público não recebe apoio de uma grande parcela sociedade, uma vez que o idoso é visto, e representado pelos veículos midiáticos, como alguém ultrapassado, o que acaba reforçando a difícil inclusão dos mesmos nas instituições de ensino superior. Com efeito, esse fator, além de representar um retrocesso para a nação, contraria a célebre frase do filósofo Epicteto, para o qual “Só a educação salva”.
Outrossim, consoante o pensamento kantiano, o indivíduo só atinge a maioridade quando sintetiza a possibilidade de agir com sua própria razão. Não obstante, o Estado, ao negligenciar - muitas vezes - as necessidades de inclusão da população idosa no ensino superior, acaba obrigando esses indivíduos a permanecerem em seu estado de menoridade, mesmo sendo a nação brasileira quase majoritariamente composta pelo público “mais velho”, isso segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística(IBGE). Assim, as instituições de ensino emergem como importantes agentes de mitigação, já que, ao formarem indivíduos mais autônomos, contribuem para a construção de cidadãos que busquem a integração de todos os grupos sociais, notadamente os mais segregados, no ensino acadêmico.
Destarte, medidas são fundamentais para que a inserção do idoso no ensino superior seja efetuada e seus desafios mitigados. Para que isso ocorra, o Governo, em parceria com o Ministério da Educação, deve investir em palestras e projetos sociais acerca das dificuldades enfrentadas por esse público no acesso a uma educação acadêmica mais inclusiva, por meio de um amplo apoio midiático, que inclua propagandas televisivas, entrevistas em jornais e debates entre os professores, com o objetivo de reverter barreiras sobre esse tema e atingir um público maior. Assim, alcançará o Brasil uma verdadeira posição de Estado democrático de direito.