Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior

Enviada em 07/08/2020

De acordo com o educador Paulo Freire, a educação sozinha não transforma a sociedade, porém sem ela a sociedade também não muda. Com isso, ele expôs uma crítica não só à sociedade como ao Estado, que não se preocupam com a educação do seu povo. Por isso os desafios para a inclusão do idoso no ensino superior são vários, como a falta de incentivo aos estudos e as dificuldades de adaptação de um novo modelo de ensino, apoiado em novos conceitos pedagógicos e tecnologia.

Desde que o Brasil deu início a sua nova formatação de pirâmide etária invertida - de acordo com o IBGE, em 2060 o país terá cerca de 26% de idosos - notou-se que esse nicho cresce cada dia mais e  que necessita de serviços e produtos específicos para ele. Ademais, sabe-se que o esteriótipo de aposentado lendo jornal ou tricotando não é mais uma realidade, eles querem entender o contexto sociopolítico e cultural em que vivem, como também desejam manter uma rotina que exercite seu cérebro após a aposentadoria. Frequentemente, muitos idosos encontram a solução na universidade, seja para realizar um sonho antigo de um diploma, seja para buscar uma segunda carreira a ser seguida após vários anos de trabalho. Contudo, essa busca pelo conhecimento muitas vezes esbarra na falta de incentivo do Estado, que não se preocupa em aumentar a escolaridade de sua população, o que aliás, ajudaria a aumentar seu IDH (Índice de Desenvolvimento Humano).

De acordo com o educador Comenius, considerado o pai da didática moderna, tudo que será aprendido deve ser adequado à idade do aluno, para que não se ensine o que não pode ser compreendido. Decerto que qualquer aluno irá encontrar algum tipo de dificuldade no momento da aprendizagem, mas, para quem já passou dos 60 anos, certamente esse problema aumenta pois, além de ter de se adequar a uma nova didática utilizada em sala de aula, quase todos o cursos pressupõem que o aluno saiba manipular mídias e tecnologia em geral com grande facilidade, coisa que nem todo idoso está apto.

Dessa forma, a ideia de Paulo Freire em melhorar a sociedade por meio da educação torna-se penosa especialmente para os idosos que encontram dificuldades de inclusão no ensino superior. Porém, o Estado pode corrigir isso com a criação imediata de mais vagas nos campus,de cursos de extensão e de programas de financiamento estudantis específicos para esse grupo. Em adição a isto, as instituições de ensino devem disponibilizar cursos presenciais preparatórios para apresentar aos idosos a didática utilizada atualmente, como também os aparelhos tecnológicos que podem vir a usar durante o curso antes dos calouros adentrarem, além de cursos de capacitação e atualização para professores todo semestre, com a finalidade de saber lidar com a pluralidade na sala de aula.