Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior
Enviada em 05/08/2020
Conforme o artigo 6 da Constituição Federal de 1988, todos têm direito a uma educação gratuita e de qualidade. Contudo, não há o cumprimento dessa garantia, haja vista os problemas enfrentados pelo país para inclusão dos idosos no ensino superior. Nesse sentido, entre esses problemas está o preconceito vigente sobre essa população e a inoperância das estratégias estatais.
Inicialmente, é indiscutível que a população idosa sofre preconceito antes e depois de entrar na universidade. Nesse âmbito, segundo o sociólogo Pierre Bordieu, existe uma naturalização de dogmas e ideologias impostas por uma cultura dominante e uma rejeição a tudo aquilo que se difere dessa cultura. Nessa lógica, os acadêmicos das instituições de ensino superior são majoritariamente mais novos e excluem a população mais velha das atividades pedagógicas devido às dificuldades e limitações que elas possuem.
Outrossim, é indubitável que o Estado possua ineficiência em incluir o idoso no mercado de trabalho após a conclusão da sua graduação. Sob essa perspectiva, de acordo com o artigo 25 do Estatuto do Idoso, é dever da união apoiar a inclusão da população envelhecida nas universidades do país. Entretanto, mesmo com algumas melhorias que permitiram a entrada dessa geração nas instituições de ensino superior, o mercado de trabalho prioriza a contratação de profissionais mais novos. Dessa forma, segundo uma matéria publicada no periódico, O Globo, em 2019, os candidatos mais jovens têm preferência pelos empregadores.
Portanto, fica claro que o preconceito e a falta de estratégias estatais eficientes são agravantes dessa situação. Por isso, é imprescindível que o Estado através do Ministério da Educação, por meio de verbas governamentais, crie mecanismo de inserção da 3º geração no meio educacional, mediante a formação de oficinas que visem ensinar o manuseio dos novos meios tecnológicos, como a disponibilização de monitores aptos a atender esse público, no intuito de tornar esses cidadãos mais capacitados e auxilia-los na conclusão do curso em questão. Ademais, é necessário que o Governo Federal incentive os empregadores a contratarem esses indivíduos, pela implantação de cotas nas empresas para esse público, com a finalidade de tornar os idosos ativos no mercado de trabalho. Assim, o direito constitucional à educação de qualidade para todos será categórico no país.