Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior

Enviada em 05/08/2020

Segundo estudos do IBGE, a expectativa de vida no Brasil aumentou consideravelmente do final do século passado até 2010. Isso indica que o país terá cada vez mais idosos e esta fase da vida será mais longa na população, o que torna necessário a existência de mudanças sociais, políticas e econômicas. Nesse sentido, o preconceito e os poucos meios para ingresso em instituições superiores são os principais desafios para a inclusão de idosos no ensino superior.

A princípio, é fundamental perceber que existe uma falsa ideia sobre as pessoas de idade mais avançada que foi historicamente construída e persiste até os dias atuais. Tal situação acontece, pois a fase idosa da vida sempre é vista por uma perspectiva negativista, ou seja, o preconceito é de que as pessoas de mais idade vão perdendo os motivos para aproveitar a vida e serem felizes. Nesse viés está os poemas arcadistas brasileiros com a ideia de “carpe diem”, que significa “aproveite o dia”, sustentando a ideologia de aproveitar a juventude, tida como o melhor momento da vida, visto que a fase idosa se aproxima a cada instante que passa. Essa produção literária reforça a ideia de construção histórica do preconceito, o que desestimula a entrada dos idoso no ensino superior.

Além disso, a existência de poucos meios para um idoso concorrer a um curso de ensino superior é outra problemática. Isso ocorre, porque poucas instituições oferecem maneiras para que a concorrência às vagas seja justa às pessoas de maior idade, tendo em vista que o grupo etário pode ter restrições fisiológicas que exijam condições especiais em diversos momentos. Assim, o baixo número de faculdades com cotas no processo seletivo de vestibular para idosos no Brasil, por exemplo, mostra que a problemática é um desafio para o grupo de idade mais avançada em cursos de ensino superior.

Assim, visto os desafios da inclusão de idosos no ensino superior, é fundamental que os centros educacionais combatam os preconceitos sobre o tema, por meio de programas de reuniões semanais com pessoas de mais idade, que sejam familiares dos alunos da instituição, na presença de professores e especialistas no assunto. Isso deve ser feito a fim de que o preconceito seja desconstruído e os idosos sejam mais incluídos no ensino superior. Além disso, o Governo Federal deve contribuir para a inclusão de idosos em cursos superiores, por meio de isenções fiscais dadas a faculdades particulares que aderirem ao sistema de cotas em vestibulares para idosos, para que estes possam concorrer de forma justa ao ensino superior.