Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior
Enviada em 07/08/2020
Na cultura indígena, o idoso é caracterizado como o detentor de conhecimento e é respeitado por toda aldeia. Contudo, essa realidade se diverge do contexto fora da tribo, principalmente, no âmbito do ensino superior, no qual a parcela geriátrica sofre com a pouca acessibilidade e o preconceito existente no ambiente acadêmico brasileiro.
Mormente, as doenças oriundas do envelhecimento potencializam as dificuldades na vida acadêmica. Nesse sentido, os espaços universitários não possuem estrutura acessível as divergências físicas e mentais presentes na faixa etária avançada. Sob essa ótica, a ausência de acessibilidade, como as rampas, corrimões, materiais de suporte auditivo e visual, são problemas para a frequência de idosos nos centros educacionais. Isso reflete, principalmente, na terceira idade que sofrem naturalmente de perdas dos sentidos e fragilidade corporal. Esses fatores não condizem com a realidade da sociedade contemporânea, a qual experiencia um envelhecimento contínuo das populações. Portanto, é notório a importância da ampliação da facilidade do acesso ao ensino superior pela parcela geriátrica para sua participação na educação do país, visto seu aumento em número em todo o globo.
Em paralelo, o preconceito associado à terceira idade dificulta a qualidade do ensino. Segundo Immanuel Kant, o ser humano é aquilo que a educação faz dele, ou seja, o aprendizado é essencial ao indivíduo. Sob essa perspectiva, o esteriótipo “ultrapassado” relacionado aos idosos é fortemente prejudicial, pois cria no cidadão uma mentalidade de negação social e incapacidade. Esse pensamento é responsável por diminuir o quantitativo da representatividade dessa faixa etária nos centros de ensino superior do Brasil. Dessa maneira, uma pesquisa publicada pela revista Exitus revela que a parcela geriátrica representa apenas 0,57% das matrículas nos cursos universitários. Com isso, observa-se a necessidade de medidas governamentais para a expansão da inclusão etária na educação brasileira e para o fim da intolerância acerca dessa parte populacional.
Destarte, a inclusão do idoso nas universidades é repleta de empecilhos. Dessa forma, cabe ao Ministério da Educação e Cultura projetar um ensino que adapte-se às capacidades da “alta idade”, por via do investimento na criação de materiais e espaços que correspondam ao perfil dessa parcela, objetivando adaptar a educação para diversas idades. Além disso, é dever das escolas corrigir a mentalidade da população em relação aos ingresso da terceira idade no ensino superior, por meio de campanhas conscientizadoras no início da formação escolar com palestras na presença de especialistas no âmbito, visando a diminuição do preconceito. Assim, há a possibilidade de convergir com a mentalidade da cultura indígena acerca dos idosos.