Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior

Enviada em 06/08/2020

De acordo com o artigo 225 da Constituição Federal de 1988, a educação é um direito de todos e dever do Estado. No entanto, percebe-se que, no Brasil, os idosos compõem um grupo altamente desfavorecido no tocante a sua inclusão na educação superior, visto que o país enfrenta uma série de desafios para atender as necessidades educacionais desse grupo. Desse modo, torna-se evidente a falta de acesso a internet, bem como as dificuldades no acesso ao mercado de trabalho

Primeiramente, vê-se que um dos entraves para incluir os idosos no ensino superior é o conhecimento da tecnologia, visto que as relações interpessoais estão cada vez mais dependentes de equipamentos eletrônicos.Essa realidade traz à tona dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em que apenas 38,7% dos entrevistados acima dos 60 anos afirmaram ter acesso a internet. Assim, um dos fatores que intensificam esse dado  é a linguagem utilizada no meio digital, já que a maioria de seus usuários são jovens que já nasceram dentro do contexto tecnológico, a utilização de jargões e abreviações de palavras são constantes e acaba dificultando a compreensão das pessoas que se encontram na terceira idade e querem ter acesso a novos recursos didáticos utilizados por estudantes do ensino superior.

Ademais, sob a perspectiva filosófica de São Tomás de Aquino, todos os indivíduos de uma sociedade democrática possuem a mesma importância, além dos mesmos direitos e deveres. Ainda assim, o sofrimento que os idosos são submetidos no acesso ao ensino superior resulta em efeitos fora dele como é visto na dificuldade da inserção no mercado de trabalho.Segundo dados da Secretaria de Trabalho do Ministério da Economia, o número de pessoas com 65 anos ou mais em vagas com carteira assinada era 649,4 mil em 2017. Posto que o mercado de trabalho oferece poucas oportunidades ao idoso, o comportamento contemporâneo, o qual prioriza o individualismo e a competição, intensifica a exclusão visto que a faixa etária em questão é alvo de uma visão equivocada de incapacidade funcional. Desse modo, as implicações de uma educação que não se adapta às diferenças são visíveis.

Logo, é necessário que o Ministério da Educação, em parceria com instituições de apoio ao idoso, proporcione a este maiores chances de se inserir no ensino superior por meio do conhecimento tecnológico e posteriormente possam ter acesso ao mercado de trabalho por meio da criação de conteúdos que guiem o idoso no acesso a tecnologia.Assim, ele irá usufruir de direitos presentes na Constituição,