Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior
Enviada em 06/08/2020
O Artigo 205, presente na Constituição de 1988, garante uma educação de qualidade a todos os cidadãos brasileiros. Contudo, esse direito não é distribuído de maneira igualitária na sociedade e, especialmente, entre os idosos. Por isso, é necessário evitar a evasão escolar e a disseminação do preconceito na terceira idade, para que essa faixa etária se sinta pertencente de uma comunidade.
É válido analisar, de início, que o Brasil é um país subdesenvolvido caracterizado por apresentar inúmeros problemas sociais que afetam a qualidade de vida do cidadão. Uma dessas questões sociais é a crescente evasão escolar, que acontece, normalmente, por causa da necessidade que o indivíduo tem de trabalhar desde cedo para compor a renda familiar. Isso pode ser comprovado por meio de dados disponibilizados pelo IBGE, o qual mostra mais de 460 mil alunos em situação de abandono escolar. Nesse sentido, um jovem que deixa o período acadêmico precocemente tende a se tornar um idoso com baixa escolaridade ou, muitas vezes, analfabeto e sem perspectiva de voltar à aprender por falta de tempo ou apoio do governo.
Além disso, é possível notar, ainda, o quanto o preconceito contra o idoso vem aumentando nos últimos anos e tem gerado o termo “ageísmo”, ou seja, a discriminação por idade. Um dos fatores que poderia justificar isso é que a pirâmide etária de vários países está em processo de envelhecimento, mas os Estados não estão acompanhando essa evolução e são negligentes com a terceira idade. Essa falta de atenção causa um sentimento de não pertencimento e o idoso não se sente estimulado a buscar novas conquista, o que inclui a vontade de voltar aos estudos. Segundo o filósofo Immanuel Kant, “o homem não é nada além daquilo que a educação faz dele”, por isso, é de extrema importância que as pessoas de idade avançada não desistam de estudar para garantir o que lhe é de direito: a educação.
Torna-se evidente, portanto, que para diminuir os desafios da inclusão dos idosos nas redes de ensino, é preciso que o Estado invista o dinheiro público da maneira correta, priorizando as políticas sociais relacionadas à educação, através do aumento no acesso de recursos online, os quais disponibilizem cursos em plataformas educacionais para evitar que a falta de tempo e a locomoção até as aulas presenciais sejam motivos que retardem a busca pelo conhecimento. Por fim, deve, ainda, promover campanhas que estimulem a vontade de voltar a estudar, com o foco em conscientizar a população de que a educação é um direito que deve ser desejado por todos, a fim de desmistificar que a escola seja um lugar somente para crianças e jovens.