Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior
Enviada em 07/08/2020
Segundo o Jornal O Globo, a partir do ano 2030 o Brasil será considerado um país com a população majoritariamente idosa. Tal faixa etária é reconhecida por sua sabedoria e ensinamentos adquiridos ao longo da vida, e pode agregar mais conhecimento a partir do ingresso nas universidades, realidade infelizmente cercada de desafios. Nesse contexto, torna-se urgente analisar a importância da estudo no cenário da terceira idade, juntamente com os impasses atrelados a consolidação desse ensino.
De início, é necessário analisar que, segundo o pensador brasileiro Paulo Freie, a educação tem o poder de mudar o mundo. Tal viés destila o caráter transformador da educação, não só em âmbito social como, principalmente, pessoal. Logo, idosos podem ter suas realidades transfiguradas a partir do estudo superior, o qual serviria como uma maneira de entreter e qualificar a vida da terceira idade, dando sentido a ela. Diante disso, além da universidade ser um lugar de sociabilização e contribuir com sua inclusão na sociedade, há também o atrelamento do processo de envelhecimento com adquirirão de maior sabedoria.
Porém, no Brasil, há problemáticos desafios que impedem ou dificultam o acesso do idoso a educação superior. De acordo com Ecléa Bosi, o que torna a cultura universitária difícil de ser comunicada às pessoas simples é o fato que ela tornou-se pobre e abstrata. Assim, indivíduos que passaram a vida lutando contra a fome, miséria, pobreza, ou dedicando-se inteiramente ao trabalho manual, tendem a não entender a linguagem e o mecanismo da faculdade. Por conseguinte, muitos idosos chegam a nem cogitar a entrada na universidade, pois parece ser uma dinâmica muito difícil de acompanhar.
Diante dos fatos supracitados, é notório que o Brasil precisa direcionar mais atenção a questão da inclusão de idosos nas universidade do país. Urge, portanto, que o Ministério da Educação adeque o processo de aprendizado para a melhor compreensão dos idosos, por meio da promoção de projetos de extensão, leituras com linguagem fácil para tal geração, monitores pacientes e dispostos a tirar as dúvidas dos idosos de maneira paciente, com o intuito de facilitar o aprendizado dessa faixa etária e tornar a universidade um ambiente acolhedor para tais. Ademais, cabe a mesma instituição uma parceria com a mídia, a qual exponha de maneira convidativa propagandas e debates com especialistas que abordem a importância do estudo superior na vida da terceira idade, incentivando o ingresso destes na universidade.