Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior
Enviada em 06/08/2020
Embora a Organização Mundial da Saúde tenha criado, em 2016, uma campanha, que definiu o dia 1 de outubro como o “Dia Nacional das Pessoas Idosas” e buscava revogar os persistentes estereótipos, postulados sobre os idosos, os quais invalidavam sua inclusão em diversos setores da sociedade. Nota-se hodiernamente, que ,esse projeto, não teve o efeito esperado, principalmente no que diz respeito a extinguir os desafios enfrentados pelo idoso na obtenção de um ensino superior. Isso ocorre devido à deficiência das instituições de ensino, mediante a falta de planejamento do País, e à violência, através do “Habitus”, sofrida por esses anciãos, que desestimula-os.
É relevante abordar, primeiramente, que a pirâmide etária do Brasil, devido à gradativa melhora na qualidade de vida, está com seu topo cada vez mais largo, ou seja, a população está envelhecendo, a assistência à saúde ao idoso está melhorando e o País está cada vez mais desenvolvido. Contudo, esse desenvolvimento é estagnado, já que esses idosos são segregados devido à falta de planejamento para atender as minúcias dessa faixa etária, na sala de aula. Quanto a isso, a arquiteta Thais Frota afirma, que o lugar que não está pronto para receber a todos é um lugar deficiente, logo nota-se que o estado tornar-se-á desenvolvido, apenas quando parar de segregar brasileiros por causa de instituições de ensino deficientes, que não atende as necessidades da população idosa, como conforto, livros com letras grandes, devido à vista gasta e métodos criativos de ensino.
Paralelo a isso, vale também ressaltar que ,culturalmente, as instituições não são culpabilizadas por suas deficiências de inclusão e sim os idosos, que recebem o rótulo de inválidos e toma-o como verdade. Segundo Pierre Bourdieu, sociólogo francês, essa dinâmica é conhecida como “Habitus”, ou seja, quando uma forma violência, que se expressa persistentemente por meio de símbolos sociais, é interiorizada, pelo indivíduo inserido nesse contexto, e exteriorizada como uma verdade para outrem. Assim, enquanto essa violência psicológica não cessar, os anciãos continuarão longe de graduar-se.
Portanto, pode-se perceber que o debate sobre os desafios para a inclusão do idoso no ensino superior é imprescindível para a construção de uma sociedade mais igualitária. Nessa lógica, é imperativo que o Ministério da Economia destine verbas para as instituições de ensino, para que invistam em atender as minúcias da população idosa, e Ministério da Saúde envie-lhes um projeto, para que saibam o que precisa ser modificado, no intuito de eliminar as deficiências da sala de aula. Ademais, o Ministério da Educação deve estimular nos idosos a vontade de estudar, por meio de um programa de TV que mostre a realidade de idosos já desconstruídos, no intuito de desconstruir outros e quebrar o ciclo do habitus, explicado por Bourdieu. Assim, a graduação dos idosos tornar-se-á cultural.