Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior
Enviada em 06/08/2020
Segundo dados do IBGE, em 2055, a participação de idosos na sociedade brasileira será maior que a de crianças e jovens com até 29 anos. Embora a população do país esteja envelhecendo, os desafios para a inclusão do idoso no ensino superior continuam presentes, visto que ainda são poucas as instituições que realmente dão condições para que isso ocorra no Brasil. Dessa forma, em razão da falta de debate e da insuficiência legislativa, emerge um problema complexo, que precisa ser revertido.
Em primeiro plano, é preciso salientar que o silenciamento é uma causa latente no problema. Segundo Foucault, na sociedade pós-moderna, muitos temas são silenciados para que estruturas de poder sejam mantidas. Diante disso, verifica-se uma lacuna em torno dos debates sobre o ensino superior para idosos, o que contribui com o aumento da falta de conhecimento da população sobre a questão, tornando sua resolução mais dificultada.
Além disso, outra dificuldade enfrentada é a insuficiência legislativa. Nesse sentido, o filósofo John Locke defende que: “As leis fizeram-se para os homens e não para as leis.” Ou seja, ao ser criada uma lei, é preciso que ela seja planejada para melhorar a vida das pessoas em sua aplicação. No entanto, na questão do ensino superior da população de terceira idade, a legislação não tem sido suficiente para a resolução do problema, visto que, apesar do artigo 25 do Estatuto do Idoso (Lei 10.741/2003) afirmar que o Estado deve apoiar a criação de universidades abertas para os idosos, muito pouco tem sido feito nesse aspecto.
Portanto, uma intervenção faz-se necessária. Para isso, é preciso que as escolas, em parceria com a prefeitura, promovam um espaço para rodas de conversa e debate sobre a questão no ambiente escolar. Tais eventos podem ocorrer no período extraclasse, contando com a presença de professores, especialistas no assunto e idosos que cursam ou cursaram o ensino superior nessa fase da vida. Ademais, esses eventos devem ser abertos à comunidade, a fim de que mais pessoas compreendam a importância de oferecer ensino superior adequado aos idosos no país e se tornem cidadãos atuantes na busca de resoluções. A partir dessas ações, poderá se consolidar um Brasil melhor.