Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior

Enviada em 06/08/2020

A Constituição Federal define o direito à educação como inalienável a todos os cidadãos. Entretanto, a sociedade brasileira enfrenta desafios para a inclusão do idoso no ensino superior. Desse modo, sabe-se que tais obstáculos são a existência de desvantagens para essa faixa etária no processo seletivo de ingresso em universidades, em relação aos mais jovens, bem como a manutenção de um ideal de ineficiência destinado a esse grupo, o qual desmotiva a qualificação intelectual.

De antemão, percebe-se que existência de desvantagens no processo seletivo de ingresso em universidades representa um dos desafios para a inclusão do idoso no ensino superior. Nessa lógica, é possível analisar a teoria da filósofa Simone de Beauvoir, a qual expõe que indivíduos com idades avançadas sofrem, na contemporaneidade, uma invisibilidade social. Nesse âmbito, chega-se à conclusão de que a escassez de métodos que destinem bônus favorecedores do viés inclusivo em faculdades, para essa faixa etária, afirma a negligência estatal injusta para com esse grupo. Isso porque as limitações adquiridas com o passar do tempo impossibilitam uma competição igualitária com vestibulandos mais jovens. Nessa ideia, sabe-se que esse contexto negligente e exclusório fere os direitos constituintes e os princípios de equidade.

Além disso, infere-se que a manutenção de um ideal de ineficiência destinado ao idoso representa outro desafio para a inclusão desse grupo no ensino superior. Nesse contexto, é possível relacionar a isso a teoria do escritor Franz Kafka, a qual expõe que a sociedade capitalista favorece o que simboliza eficiência e lucro. Nesse raciocínio, chega-se à conclusão de que existe um ageísmo no processo de contratação de mão de obra, visto que o preconceito sustenta o fato da população juvenil ser preferível em detrimento do interesse em trabalhadores com idades mais avançadas. Essa situação é o que desmotiva a qualificação intelectual dessa minoria. Nesse pensamento, torna-se evidente que a idealização preconceituosa promove o escanteamento da faixa etária envelhecida.

Portanto, sabe-se que os desafios na inclusão idosa no ensino superior devem ser atenuados. Logo, cabe ao Ministério da Educação findar as desvantagens competitivas no processo seletivo de ingresso em universidades para a faixa etária mais velha, por meio da aplicação de cotas para indivíduos com mais de 65 anos em sistemas como SiSU, ProUni e Fies. Ademais, é dever do Ministério da Economia extinguir o ageísmo na contratação de mão de obra envelhecida, por intermédio da exigência às empresas de uma representação obrigatória de pelo menos 10% de trabalhadores com idades avançadas em relação ao total de funcionários. Assim sendo, esse grupo minoritário terá condições justas e motivações necessárias ao viés inclusivo em faculdades.