Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior
Enviada em 06/08/2020
Na produção americana “Uma Lição de Vida”, acompanha-se a história real do queniano Kimani Maruge que, aos 84 anos, busca retomar sua vida acadêmica, enfrentando assim críticas e preconceito da comunidade local. Apesar do lapso histórico-cultural, é possível observar na sociedade contemporânea realidades semelhantes à de Maruge que, assim como ele, sofrem diariamente na luta pelo diploma acadêmico. Nesse sentido, faz-se relevante a reflexão acerca da inclusão do idoso no ensino superior e seus desafios.
Em primeiro lugar, é válido ressaltar que, devido às lacunas geracionais, grande parte dos idosos evita ingressar em faculdades, com medo de ser ridicularizado e/ou sofrer exclusão social por parte das comunidades nas quais estão inseridos. De acordo com a pesquisa do jornal “Folha de São Paulo”, cerca de 70% dos idosos entrevistados afirmaram não querer ingressar em universidades, por acreditar que são reservadas apenas ao público jovem. Sob tal ótica, é possível conceber que a opinião dos indivíduos de terceira idade torna-se insegura acerca desse quesito, devido à noções pré-estabelecidas que apenas jovens devem ingressar nessas instituições e fazer usufruto do direito à educação superior.
Ademais, é fato que existe na sociedade atual empecilhos físicos para a inclusão dos idosos nas instituições de ensino, como transporte e acessibilidade, principalmente em países em desenvolvimento. Conforme os dados do jornal “O Globo”, apenas 30% das faculdades públicas brasileiras possuem estrutura pensada para atender o público idoso, com poucas declividades, salas de aula próximas e elevadores sociais. Dessa forma, o trânsito desse coletivo é inviabilizado, tornando ainda menos atrativa a esse indivíduo o cenário universitário e privando-o de seu direito cidadão. Esse é o exemplo do que acontece no Brasil, país que passa por um crescimento da população com mais de 65 anos, ao mesmo passo que não adapta sua infraestrutura com a mesma velocidade.
Portanto, é mister que o Estado, como garantidor do direito e do bem-estar social, tome providências para amenizar o problema. Como resolução à problemática, é dever do Ministério Público do Idoso crie, por meio de verbas governamentais, programas de incentivo financeiro ao idoso interessado em ingressar em universidades, além de normalizar ao público comum a ideia que é normal e pertinente a expressão desse público nas faculdades. Somente assim, será possível garantir o direito do idoso de frequentar essas instituições, evitando histórias semelhantes a de Kimani Maruge, para então alcançar o verdadeiro estado de bem-estar social.