Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior
Enviada em 07/08/2020
No contexto histórico da Grécia Antiga, os idosos eram vistos como os principais educadores da sociedade. Nesse sentido, os mais velhos ocupavam a função de transmitir os conhecimentos, e não recebê-los. Entretanto, com o avanço da concepção de cidadania e com a chegada da modernidade, os papéis educacionais foram revertidos e, a partir disso, os professores também se perceberam potenciais alunos. Por tal motivo, cabe discutir o preconceito social e a negligência do Estado como os principais desafios para a inclusão do idoso no ensino superior.
Primeiramente, cabe discutir o desafio da aceitação da sociedade. Com isso, o pedagogo Paulo Freire, ao afirmar que a educação é desafiadora, compreendeu as dificuldades do mundo moderno em inserir os mais variados indivíduos no processo educacional. Desse modo, a ótica freiriana revela que o maior desafio não compreende as áreas econômicas de um país, mas, infelizmente, no princípio da mentalidade educativa a qual rege as relações do corpo social. Com base nesse viés, pode-se dizer que, se o Brasil, caracterizado pelas bases democráticas de um Estado de direito, deseja garantir a plena inserção do idoso no ensino superior, deve, antes de tudo, fornecer as instruções necessárias para uma mudança na perspectiva em relação à terceira idade.
Ademais, é válido pontuar a inoperância estatal. Nesse prisma, o Estatuto do Idoso expõe que o idoso tem, por garantia constitucional, o pleno direito à educação de qualidade no país. Em contraste com tal afirmação, o Censo da Educação Superior analisou que o crescimento das matrículas nas universidades por parte dos mais velhos só aconteceu depois de 20 anos. Com essa análise, percebe-se a estagnação das políticas públicas em relação a esse assunto e o reflexo de tal problemática, isto é, a dificuldade em democratizar os acessos às redes de educação do país atrasa o processo de inserção universitária. Esse problema, então, revela a negligência do governo em incrementar o financiamento das redes educacionais a fim de tornar o ambiente de universidade apto para receber os idosos que, como potenciais alunos, do modo grego antigo, procuram por novas carreiras e oportunidades.
Nota-se, portanto, a urgência em criar medidas para mitigar tal problemática. Para tanto, urge que o Ministério da Cidadania crie um programa chamado “Sempre Alunos” , o qual deverá, por meio da contratação de professores universitários com R$ 5000 de renda mensal, acompanhar os idosos em toda a carreira acadêmica, a fim de que haja uma mudança na mentalidade social de preconceito contra a capacidade dos idosos. Outrossim, o Ministério da Educação deve investir, por intermédio de 20% das verbas destinadas, em propagandas de faculdades particulares e públicas com esse foco, com a finalidade de incentivar o ingresso por parte deles, semelhante à concepção de liberdade freiriana.