Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior

Enviada em 06/08/2020

Na década de 1960, o educador Paulo Freire desenvolveu um método que foi capaz de alfabetizar milhões de brasileiros, tendo como base as experiências de vida dos alfabetizandos. Esse processo permitiu que muitos adultos e idosos, finalmente, tivessem a oportunidade de estudar, e, até mesmo, sentirem-se encorajados de concluir uma vida acadêmica. No entanto, o acesso de idosos ao ensino superior ainda tem muitas barreiras, seja pela falta de oportunidade, ou pelo preconceito da população.

Primeiramente, é importante observar que, segundo o IBGE, o Brasil caminha para ter uma população numerosa de idosos, assim como acontece hoje em países europeus. Isso porque, de acordo com o Instituto, até 2060, cerca de 30% da população será composta por idosos. Assim, caso não haja a manutenção da saúde e a qualificação do profissional idoso, além do estímulo a formação de pessoas mais velhas que não têm formação superior, muito provavelmente, devido à inversão da pirâmide etária e surgimento de novos hábitos, faltarão profissionais para compor a população economicamente ativa do país. O problema é que muitos idosos, graças à grande desigualdade social no país, sequer tiveram oportunidade de concluir o ensino fundamental, e nem recebem incentivo para se desenvolverem intelectualmente na terceira idade.

Convém pontuar, ainda, que o grande preconceito contra a pessoa idosa é uma barreira para a inserção dessa população no mercado de trabalho e em cursos superiores. Diferentemente de países como o Japão, onde, ainda hoje, os idosos são tratados como referência informacional e com respeito, no Brasil, conforme o Conselho Nacional de Saúde, no ano de 2020 houve aumento no número de vio-lência, seja psicológica ou física, contra o idoso, principalmente devido ao isolamento social provocado pela pandemia do Covid-19. Essa agressão, sem dúvida, também se dá quando há menosprezo da ca-pacidade intelectual e profissional do idoso, uma vez que muitos estudantes mais velhos são rejeitados pelos colegas em cursos superiores, além de haver descarte de candidatos com idade relativamente alta, o que dificulta oportunidades de emprego.

Nota-se, então, que além de haver falta de incentivo para a ocupação de idosos em vagas no ensi-no superior, há preconceito por parte da população com suas capacidades intelectuais. Portanto, é fun-damental que o Ministério da Educação fomente, ainda mais, a inserção desse grupo no ensino supe-rior, por meio da disponibilização de cursos profissionalizantes voltados à pessoa idosa, além de sua in-clusão a grupos mais jovens, a fim de que se tenha mais idosos qualificados para ocupar vagas de tra-balho. Além disso, deve haver punição dos órgãos competentes a quem impede o desenvolvimento in-telectual do idoso, e a quem o agride, para que esse grupo tenha mais autonomia em sua vida.