Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior
Enviada em 07/08/2020
Sabe-se que, das problemáticas envolvendo os idosos, a não inclusão no ensino superior é uma que eles se deparam frequentemente nos dias atuais. Assimilando essa temática com o pensamento do político Nelson Mandela, tem-se que a educação é fundamental para mudar o mundo, e a partir do momento que um grupo social é isento dessa sistemática essa teoria é invalidada. Com isso, há um aumento do isolamento das pessoas da terceira idade e maior acomodação educacional dos jovens.
Em primeira análise, com base no modelo biopsicossocial do filósofo Foucault, o ser humano, para conseguir um maior progresso nas suas ações e relações, precisa manter o equilíbrio entre as esferas biológica, psicológica e social. Em outras palavras, esses conceitos apresentados pelo pensador correspondem, respectivamente, ao bem-estar físico, mental e nas interações sociais, ou seja, quando uma pessoa não possui o controle de algum desses ramos, ela não possui o autocontrole referido. Isso pode ser observado na não inclusão dos idosos no ensino superior, que, por já ser naturalizado na sociedade, é tão pouco mencionado nas mídias e nos debates e, consequentemente, resulta em uma maior exclusão desse grupo social. Infelizmente, é idealizada, na maioria das vezes, pelas civilizações atuais, a ideia de que, por possuírem histórico já vivido e ocuparem a terceira geração, os idosos não têm mais interesse em conquistar um diploma, o que deixa nítido o real desinteresse em seus anseios.
Em segunda análise, de acordo com dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP), das pessoas matriculadas em cursos de graduação no ano de 2016, aproximadamente 0,3% tinham idade igual ou superior a 60 anos. Essa pesquisa revela quão mínima é a atual existência dos idosos nas questões educacionais no Brasil, o que é reflexo de uma sociedade que supervaloriza o envolvimento dos jovens nessas temáticas, o que tem valor por também ser necessário. Entretanto, o que não é justo é ignorar a existência da busca, por parte das pessoas da terceira idade, em conseguir estarem inseridos e finalizarem um ensino superior, visto que muitos deles não se arriscam tentar pelo medo de adaptação ou rejeição devido a sua idade e limitações.
Portanto, sobre a inclusão do idoso no ensino superior, é necessário que a mídia, juntamente com a sociedade, busque dar maior visibilidade na existência da integração desse grupo nas questões educacionais. Isso deve ser feito mediante o aumento de debates sobre a importância da terceira geração conquistarem o desejado diploma e valorizá-los por isso. Outrossim, é importante que o governo busque facilitar e estimular a presença da terceira idade nas universidades públicas, por meio de programas atrativos que possibilitem inclusão e por adaptações nos sistemas que melhor atendam as suas necessidades. Feito isso, os idosos conseguirão um maior equilíbrio, como propõe Foucault.