Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior
Enviada em 07/08/2020
A participação social dos idosos está presente no texto da Política Nacional do Idoso (PNI) que declara em seu primeiro artigo: a PNI tem por finalidade assegurar os direitos sociais dos mesmos, criando condições para promover a sua autonomia e integração efetiva na sociedade, além do direito à saúde e educação. Diante disso, percebe-se que tal artigo, previsto na Constituição Federal, destoa completamente da realidade enfrentada por quase 13% da população brasileira, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). Assim, é válido discutir sobre a importância da inclusão dos idosos no sistema de educação, bem como os respectivos desafios impostos pelas sociedades.
É fundamental, inicialmente, compreender que a inserção das pessoas de terceira idade no sistema acadêmico é uma maneira de valorização pessoal. Isso acontece porque além de promover participação social, escolarização e profissionalização, tal inclusão representa uma forma de superar as dificuldades cognitivas e até mesmo o receio que esses estudantes têm de não conseguir aprender devido à idade. De acordo com entrevistas publicadas pela Universidade Federal de Goiás (UFG), Raimunda Alves da Rocha (72 anos) é um grande exemplo para corroborar a significância da educação na vida dessas pessoas. Segundo a entrevistada, o estudo fez com que ela pudesse observar o mundo de outra forma, menos desigual e que a sua aprovação numa Universidade Federal contribuiu para seu sentimento de pertencimento à sociedade.
Entretanto, a dificuldade de ingressar em uma faculdade e seguir uma carreira profissional, como no caso de Raimunda, é enorme dentro da sociedade atual, visto que a desvalorização em relação a pessoas nessa idade ainda continua sendo um obstáculo para a inclusão dos idosos nas universidades. Tal fato pode ser justificado devido à descriminação e preconceitos sofridos contra essas pessoas, uma vez que, segundo o pensamento equivocado da geração moderna, indivíduos que se encontram na terceira idade não são mais produtivos e não atendem mais à demanda do mundo globalizado, tornando-se excluídas do processo de formação educacional. Fato este que pode ser ratificado segundo dados do censo 2016 realizado pelo INEP, no qual aponta que das mais de 8 milhões de pessoas matriculadas em cursos de graduação, somente 20 mil têm idade superior ou igual a 60 anos.
Portanto, cabe ao Governo Federal, no âmbito do Executivo, juntamente às universidades do país, investir em programas de inclusão social aos idosos, como o Programa Universidade Aberta à Terceira Idade da USP, destinando uma porcentagem do PIB brasileiro para ser aplicado em atividades que valorizem a participação desses indivíduos, como bolsas de estudos nas grandes faculdades, a fim de reverter o atual quadro de 56º país onde os idosos vivem com uma boa qualidade de vida e educação.