Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior
Enviada em 07/08/2020
No filme “Uma lição de vida”, retrata-se um idoso de 84 anos que enfrenta as dificuldades de ingressar na escola e, de fato, alfabetizar-se. Considerando a base real do filme, observa-se que a população idosa ainda encontra desafios para sua inclusão, também, no ensino superior. Dentre tais desafios, vale destacar dois: a exclusão social do idoso e a formação não continuada dos professores.
É importante destacar, inicialmente, a exclusão social da população idosa como empecilho para o ingresso dela no ensino superior. Isso porque, embora o idoso seja visto, segundo a Constituição Federal de 1988, como sujeito detentor de direitos, o que se nota, na realidade, é a inferiorização da pessoa idosa, resultado das relações de poder e da biopolítica dentro da sociedade. Esse tipo de relação, estudada pelo filósofo Michel Foucault, é marcada pela dominação, marginalização e sobreposição de indivíduos em detrimento de outrem. Assim, a falta de empatia e valorização dos idosos traz consigo a ideia de uma pessoa ultrapassada, sem direitos, sem saúde, baseado em um único critério: a idade. Desse modo, essa parcela da população é pouco incluída no meio educacional, sendo inconsciente de sua situação de vítima de opressão,preconceito e discriminação inerente a ela.
Além da exclusão social, um outro fator relacionado aos desafios para inclusão do idoso no ensino superior refere-se à formação não continuada dos professores. Nesse caso, a inadequação do ensino, da linguagem e do conteúdo torna a vida estudantil da pessoa idosa difícil, o que acarreta o aumento da evasão de instituições educacionais. Acerca disso, o pedagogo Paulo Freire defende um modelo alternativo de educação, conciliador de ensino e aprendizagem de acordo com o contexto de vida do aluno, adequando a forma de abordagem de modo a ampliar o entendimento do conteúdo, facilitar a formação e estimular o ingresso nos centros educacionais. Entretanto, percebe-se, atualmente, que a dificuldade no ensino desses indivíduos é um problema estrutural, fruto de falta de conhecimento prévio não oferecido a eles, como conhecimentos quanto à tecnologia, por exemplo. Tal fato leva a má formação cognitiva e social dos idosos, que desconhecem a relevância de seu papel na sociedade.
Nota-se, portanto, que ainda há desafios no ingresso do idoso no ensino superior. Por isso, o Ministério da Educação deve, juntamente com o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, atuar na implementação de políticas de inclusão dessa minoria dentro das instituições de ensino. Essa política deve reservar vagas específicas para idosos, apoio pedagógico fora das salas, além de oferecer cotas para ingresso em faculdades. Para tal, cabe um maior redirecionamento do PIB para a educação, visando a incluir o idoso no ensino superior, tornando-o crítico e ativo socialmente. Dessa forma, os desafios retratados no filme “Uma lição de vida” serão, finalmente, superadas.