Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior
Enviada em 07/08/2020
Conforme a Constituição Federal do Brasil de 1988, Carta Magna, todo cidadão tem direito à educação. Esse direito é violado quando inerente ao idoso, gerando um grande problema: incluí-lo no ensino superior. Nesse sentido, nota-se que existem fatores que dificultam esse acesso, como a falta de equidade em processos seletivos e de medidas inclusivas que facilitem a utilização dos sistemas tecnológicos presentes nas faculdades.
De início, destaca-se que, no Brasil, ainda são primordiais ações que auxiliam as pessoas negligenciadas a ingressarem em cursos superiores. Desse modo, evidencia-se que, assim como os negros e os deficientes precisaram de medidas adaptativas para obterem o acesso validado, as pessoas da terceira idade também precisam, pois, infelizmente, a cultura do preconceito sobre a capacidade de um idoso ainda é muito presente, o que é lamentável. A exemplo disso, segundo o jornal Folha de São Paulo, a cada 10 brasileiros, 9 acreditam na existência desse pré-julgamento, isto é, cerca de 90% da população reconhece essa mazela, afirmando a precisão de equidade para a inserção dessa parcela.
Além disso, com o avanço da Terceira Revolução Industrial, Técnico-Científico-Informacional, o âmbito das universidades foi fundamentada a partir de ferramentas tecnológicas, como microscópios e softwares. Isso é um outro grande problema para a pessoa idosa, pois, na maioria das vezes, ela não tem a facilidade ao manusear um aparelho, dificultando, sobretudo, nas áreas da saúde e da engenharia que são baseadas em inovações tecnológicas, o que é preocupante. Assim, de acordo com Pierre Bordieu, existe uma uma naturalização de dogmas e ideologias criadas por uma cultura dominante, rejeitando tudo o que se faz contrário, ou seja, analogicamente a essa situação, pelos estudantes universitários serem majoritariamente jovens, fica naturalizada a exclusão dos de idade avançada por não dominarem tal ferramenta.
Por fim, constata-se a necessidade de políticas públicas no Brasil que consolidem esse direito ao indivíduo maduro. Diante disso, é necessário que o Governo crie medidas que facilitem o acesso dessa parcela negligenciada, por meio de ações afirmativas, como as cotas para os idosos no Exame Nacional do Ensino Médio, a fim de aumentar a presença desses cidadãos nos cursos superiores. Ademais, é preciso que as próprias universidades disponibilizem meios que auxiliem o acesso tecnológico a esses sujeitos, por meio de assistentes que ensinem como devem ser utilizados tais equipamentos, podendo ter um supervisor por sala para essa função, com finalidade de naturalizar a empatia e o respeito às limitações do próximo.