Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior

Enviada em 07/08/2020

Com a chegada da Família Real, em  1808, o rei de Portugal precisou investir em alguns setores primordiais, sobretudo, o da educação. Nesse contexto, foi inaugurada a Escola de Cirurgia da Bahia, primeira instituição de ensino superior do Brasil. Entretanto, passados mais de duzentos anos, ainda há problemas em relação ao acesso dos estudantes. De maneira que quando se reflete a respeito dos desafios para incluir os idosos nas universidades, observa-se que o preconceito cultural e falta de centros de ensino voltados para esse público são os grandes entraves para promover essa inclusão. Desse modo, é necessário o equilíbrio para que os mais experientes também tenham oportunidades.

Em primeira análise, ainda impera na população o conceito que o idoso é inválido e que já deu sua parcela de contribuição à sociedade. No entanto, essa perspectiva não condiz com a realidade, haja vista que os avanços na medicina prolongaram bastante a vida média do brasileiro. Segundo o Doutor Drauzio Varella, o mundo moderno pode oferecer oportunidades para o exercício da cidadania na velhice, desenvolvendo a auto-estima, a autoconfiança, resgatando a dignidade aos seus participantes ativos. Sob essa ótica, é de fundamental importância a inserção dessa parcela da população nas universidades, para que haja o compartilhamento de experiências com os mas jovens. Desse modo, esse intercâmbio cultural de gerações favorece à formação de profissionais qualificados.

Em segunda análise, a metodologia da educação superior é voltada apenas para o jovem, pois não se observa propagandas convidando idosos a ingressar nas universidades. Além disso, não são levadas em conta as projeções do último Censo Demográfico do IBGE, as quais alertam para o crescimento da população idosa no país. De maneira que os cursos voltados exclusivamente para essa camada da sociedade não são regulamentados pelo MEC. De acordo com o educador Paulo Freire, o aluno para se sentir confortável na escola, precisa ter a certeza que está contribuindo para melhorar sua sociedade. Assim, a falta de certificações desses cursos pelo MEC pode desmotivar o ingresso dos alunos da terceira idade e contribuir com o desinteresse pelo diploma universitário.

Portanto, medidas para incentivar a entrada dos idosos nas universidades precisam ser tomadas. Nesse sentido, o Ministério da Educação deve adotar políticas afirmativas que assegurem um sistema de cotas para idosos, por meio de portaria, obrigando todos os centros de educação de ensino superior dos país a destinar, pelo menos, 10% das vagas dos cursos à população com mais de 60 anos. Com o objetivo de promover o intercâmbio cultural entre gerações e incentivar o idoso a utilizar suas experiências ao longo da vida no crescimento do país. Somente assim, essa desigualdade no acesso às universidades, a qual acontece desde quando o Brasil ainda era colônia de Portugal será resolvido.