Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior

Enviada em 07/08/2020

O livro " Jogos Vorazes “, da escritora Suzanne Collins, retrata uma realidade distópica no distrito mais pobre e deturpado de uma sociedade segregacionista, no qual idosos são respeitados e admirados por resistirem aos infortúnios de uma longa vida, sendo considerados fontes de conhecimento para os mais jovens. Todavia, fora da ficção, percebe-se uma conjuntura social destoante em relação ao status social das pessoas da terceira idade, visto que, comumente, são taxadas de " ultrapassadas " no âmbito profissional e, sobretudo,  no educacional. Nesse sentido, cabe pontuar a cultura excludente e a falta de incentivo educacional como os principais desafios para inclusão de idosos no ensino superior.

É importante, de início, enfatizar que o pensamento cultural de que idosos não têm capacidade física e intelectual para frequentar universidades é um fator que os afastam desse ambiente. Nessa lógica, de acordo com o escritor Nick Couldry, em seu livro " Por que a voz importa “, a desigualdade da fala condena indivíduos à inexistência em diversos setores da sociedade, isto é, a falta de oportunidades para as pessoas se expressarem impulsiona a exclusão na contemporaneidade. Sob essa perspectiva, é notório que vivemos em uma conjuntura social que não discute, nem atribui a devida importância à possibilidade de cidadãos na terceira idade adentrarem, como estudantes, no ensino superior, fato  que desestimula a presença deles nesse âmbito. Desse modo, as ‘‘vozes’’ de idosos são silenciadas no setor universitário, promovendo a escassez de acadêmicos nessa faixa etária.

Além disso, é válido ressaltar que a ausência de estímulos para educação é um problema estrutural da sociedade brasileira que atrapalha a inserção de indivíduos em idade avançada no ensino superior. Nesse Sentido, segundo o Professor Paulo Freire, a educação,no Brasil, é bancária, ou seja, apenas busca depositar conhecimentos técnicos nos estudantes, sem formá-los criticamente para a vida social e profissional. Dessa forma, na maioria das vezes, tal método de ensino não instiga eficientemente os estudantes a se interessarem na vida universitária, sobretudo a parcela sênior da população, que além de ser culturalmente escanteada nesses ambientes, não recebe motivações educacionais para ingressar neles.

É evidente, portanto, que existem desafios que devem ser combatidos para a inclusão do idoso no ensino superior. Nessa perspectiva, urge que o Ministério da Educação estimule o ingresso de pessoas na terceira idade em universidades  e ajude a desconstruir os estigmas sociais relacionados a isso. Tais ações devem ocorrer por meio da elaboração de campanhas nas redes sociais e nos centros educacionais que elucidem os benefícios da integração de idosos na vida acadêmica, com o intuito de incluir, cada vez mais, o público sênior no ensino tterciário.