Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior

Enviada em 07/08/2020

De acordo com o Pegagogo Paulo Freire, a educação é a única ferramenta capaz de promover revoluções no mundo. Diante disso, é válido destacar a importância da formação acadêmica das pessoas, não apenas no quesito econômico do país, mas também do aprimoramento intelectual dos indivíduos. No entanto, o acesso à educação superior no Brasil ainda é bastante segregativo, o que dificulta que a população mais velha do país consiga usufruir desse direito constitucional. Dessa maneira, é importante analisar o mau incentivo governamental referente à adesão dos idosos às universidades e o preconceito velado na sociedade que inferioriza essa camada populacional a fim de compreender os desafios da inclusão desses civis no ensino superior.

A princípio, a ausência de ações governamentais destinadas à maior adesão ao ensino superior pelos idosos é um fator que dificulta a inclusão desses atores sociais nas universidades do país. Segundo o estatuto do idoso canadense, no ano de 2018 o número de adultos velhos ingressando na universidade no Canadá tem aumentado significativamente, uma vez que o Governo canadense decidiu instituir políticas públicas que valorizem esses indivíduos como seres pensantes, possibilitando assim uma maior busca pela formação acadêmica. Contudo, no Brasil esse cenário é bastante utópico, uma vez que a própria comunidade científica nacional desacredita da capacidade cognitiva da população idosa, o que configura um desafio para incluir essa comunidade nas universidades.

Além disso, o preconceito da população relacionado aos idosos é outro fator que dificulta a inclusão dessa população nas universidades. Conforme uma pesquisa acadêmica realizada na Universidade Federal de Lavras no ano de 2016, mais de 60% dos entrevistados achavam estranho o fato de ter um idoso estudando, pois a visão dos estudantes é centrada na inferioridade fisiopsicológica que os mais velhos possuem, uma vez que o natural da vida é que haja uma redução da cognição com o avançar da idade. No entanto, é comprovado que ao estimular cada vez mais a capacidade mental, as pessoas conseguem atrasar o retardo fisiológico, sendo esse um dos benefícios plausíveis para que a continuidade do estudo perpetuasse para todas as idades, mas que devido à uma condição de inferioridade imposta pela população, os idosos acabam não buscando o ambiente acadêmico.

Portanto, para promover a inclusão dos idosos no ensino superior do Brasil, medidas devem ser tomadas. Assim, compete ao Governo Federal coibir o preconceito velado na sociedade, que prega que o ser idoso é automaticamente inferior. Essas ações devem ser permeadas por uma lei federal, que deverá proteger os idosos de ataques ideológicos e com o não cumprimento de tal lei, as pessoas deverão ser punidas. Feito isso, será possível garantir a inclusão dos mais velhos nas universidades.