Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior

Enviada em 07/08/2020

Com a literatura jesuítica na época do Quinhentismo brasileiro, muitos padres enfrentaram desafios com os nativos para convencê-los do ensinamento proposto e ficou reconhecida como a primeira forma de difusão de conhecimento, uma espécie de escola do século XVI. De maneira análoga a época, a educação persiste com problemas de inclusão e democratização do seu ensino, e a faixa etária bastante afetada é a dos idosos, que para entrar no ensino superior ultrapassa por um sistema fragilizado e excludente. Além disso, há a questão da cobrança social e o trabalho como refúgio de tal.

A priori, de acordo com o artigo 205 da Constituição Federal, a educação é um direito de todos e dever do Estado e da família, ou seja, o ensino deveria ser acessível para todas classes e idades, sem exclusão, mas não é dessa forma que funciona. Segundo dado do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mais de 13 milhões de pessoas não sabem ler ou escrever, 40% desse número são idosos com mais de 60 anos. Com isso, é evidente que por não desfrutar do acesso à educação básica, o futuro com entrada no ensino superior é comprometido. Isto reforça o problema social existente em torno do tema, pois sem as condições adequadas, ingressar em uma faculdade torna-se mais difícil ao somar envelhecimento e alta taxa de analfabetismo.

Em uma segunda análise, é válido pontuar sobre a visão do trabalho como fonte alternativa para  uma boa qualidade de vida quando não há o sucesso nos estudos. Desse modo, ao surgir a cobrança social de um diploma como sinônimo de obtenção de sucesso, os jovens de hoje que serão futuros idosos da sociedade, optam pelo trabalho para garantia de bem-estar e renda extra. Logo, ao chegar na velhice, depara-se com a utopia de cursar o ensino superior em contraste com a desigualdade social e disparidade econômica.

Portanto, é necessário que o Estado por ter função essencial na democratização da educação desenvolva juntamente com o Ministério da Educação (MEC) um programa em que o público alvo seja os idosos, com propósito de inseri-los inicialmente em uma educação básica e progressivamente ao ensino superior. Para isso, os idosos seriam separados de acordo com suas necessidades e direcionados a aulas específicas com professores e estratégias para ingressar na faculdade. Assim, ao ser minimizada a questão do analfabetismo e proporcionado os recursos necessários, a utopia concretize-se e os idosos ocupem seu devido espaço - que é um direito - nas universidades.