Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior
Enviada em 13/08/2020
O filósofo inglês Thomas More, na sua obra Utopia, descreve um corpo social perfeito, ajustado pela inexistência de conflitos e problemas. Não obstante, o que se observa na realidade é o oposto do que o autor idealiza, visto que os desafios para a inclusão do idoso no ensino superior apresentam obstáculos que dificultam a concretização das suas ideias. Esse cenário adverso é fruto tanto da falta de investimentos por parte do Estado quanto por fatores sociais.
A princípio, é crucial pontuar que os aspectos governamentais estão entre as causas do problema. Segundo o sociólogo positivista Émile Durkheim, o Estado é a instituição máxima que permite o bom funcionamento da sociedade de forma íntegra, de modo que o equilíbrio seja alcançado. Entretanto, é possível perceber que, no Brasil, a falta de investimentos rompe essa harmonia, uma vez que mesmo com o Estatuto do Idoso garantindo em tese o seu direito ao ensino superior, ainda não há possibilidades de garantir esse direito a todos. Isso se dá principalmente pela carência de universidades abertas aos idosos. Destarte, nesse âmbito, faz-se necessária uma remodelação da postura estatal.
Outrossim, destacam-se os fatores sociais como impulsionadores do problema. Durkheim define fato social como os instrumentos sociais e culturais que determinam as maneiras de agir, pensar e sentir na vida de um indivíduo. Seguindo essa linha de pensamento, observa-se que, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil se tornará um país de população majoritariamente idosa já em 2030. Esse aumento no número da população idosa também aumenta o índice de dependentes se serviços públicos como a educação em questão. Tudo isso delonga a resolução do problema, contribuindo para a sua perpetuação.
É evidente, portanto, que medidas são necessárias para extinguir esse problema da sociedade brasileira. Dessa maneira, o Tribunal de Contas da União deve direcionar recursos que, por intermédio do Ministério da Educação, possam sem usados para ampliação do número de universidades abertas para idosos. Essas universidades, por sua vez, devem oferecer aulas presenciais e também à distância com incentivo à leitura, palestras culturais e atividades dinâmicas entre os idosos. Tudo isso através da criação de políticas públicas com o objetivo de fomentar a inclusão do idoso no ensino superior. Como já foi dito pelo pedagogo Paulo Freire: “Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”. Logo, o Ministério da Educação deve incentivar, nas escolas, atividades e projetos como ciclos de palestras e feiras de conhecimento que envolvam alunos e sociedade, de modo a abordar sobre tal problemática e as formas de como evitá-la. Dessa forma, será possível construir uma sociedade mais próxima da Utopia idealizada por More.