Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior

Enviada em 23/08/2020

Segundo o artigo 3 do Estatuto do Idoso, é obrigação da família, da comunidade, da sociedade e do Poder Público assegurar ao idoso, a efetivação do direito à educação, entre outros benefícios. No entanto, no Brasil, tal privilégio ainda não é aproveitado de forma plena por esses indivíduos, visto que eles enfrentam inúmeros desafios para ingressar no ensino superior. Tal problemática é causada pela negligência do Estado, bem como pela falta de incentivo das faculdades.

Em primeiro lugar, vale ressaltar que o desinteresse do governo atrelado ao aumento significativo do envelhecimento da população são fatores agravantes dessa situação. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), até 2025 o número de idosos chegará a 35 milhões. Tal dado demonstra a gravidade dessa conjuntura, pois sem o estímulo do Poder Executivo, essas pessoas ficam impossibilitadas de garantir sua qualificação professional, já que compete a esse órgão fornecer as condições necessárias para a realização de tal conquista. Com efeito, o país desperdiça a oportunidade de ampliar uma mão de obra especializada para o mercado de trabalho. Dessa forma,  é indiscutível a necessidade de implementar medidas voltadas para inclusão dessa faixa etária nas faculdades.

Ademais, convém destacar a falta de incentivo das instituições de ensino superior como uma das principais causas dessa conjuntura. Segundo Aristóteles, filósofo grego, ‘‘Todos os indivíduos têm, por natureza, direito de aprender.’’ Nesse sentido, quando as universidades se recusam a ofertar vagas de cursos profissionalizantes para os idosos, com certeza elas também estão negando esse benefício e, consequentemente, não estão aproveitando a oportunidade de criar um ambiente acolhedor, que proporciona uma intensa troca de conhecimentos, pois os anciões são detentores de grande sabedoria. Fica evidente, portanto, a importância de promover um ensino mais igualitário.

É necessário, logo, uma ação conjunta do Estado e das instituições de ensino superior direcionada para assegurar o direito de aprender dessas pessoas. Dessa maneira, cabe ao Ministério da Educação (MEC), em conjunto com as faculdades, ofertar vagas nos cursos profissionais e materiais de apoio adaptados, como livros e apostilas, por meio de incentivos governamentais, com o intuito possibilitar um ensino mais democrático e diversificar a mão de obra no mercado de trabalho. Assim, todos poderão usufruir do direito de aprender, como abordado por Aristóteles.