Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior
Enviada em 14/12/2020
Machado de Assis, em sua fase realista, despiu a sociedade brasileira e teceu críticas aos comportamentos egoístas e superficias que caracterizam essa nação. Não longe da ficção, percebem-se aspectos semelhantes no que tange à questão dos desafios para a inclusão do idoso no ensino superior, uma vez que a sociedade ainda considera essa parcela da população inapta para se adaptar a um curso avaçando. Nesse sentido, torna-se evidente como sendo alguns desses obstáculos a lenta alteração da mentalidade social e a priorização de interesses financeiros.
Em primeiro plano, é preciso atentar para a tardia mudança da mente coletiva em relação a temática. Isso posto, na obra “Ensaio sobre a Cegueira”, de José de Saramango, o autor não relata apenas a cegueira física humana, mas também a cegueira moral presente em uma sociedade insensível às mazelas alheias, ressaltando as precárias relações interpessoais. Nesse sentido, o jornalista George Bernard afirma que o progresso é impossível sem uma mudança mental. Logo, em analogia com o problema, nota-se que o indivíduo não consegue se conscientizar a respeito da inserção do idoso no ensino superior, quando se recusa a enxergar a realidade desse contexto diferente do seu, ignorando que as pessoas de idade avançanda também precisam de oportunidades nas instiuições de ensino.
Além disso, outro ponto relevante nessa tese, é a prioridade dada à questão financial. Nessa lógica, desde os processos denominados revoluções industriais e a ascensão do capitalismo, o mundo vem demasiadamente priorizando produtos e mercado em detrimentos de valores humanos essenciais, como a introdução do idoso no ensinamento eminente. Nessa perspectiva, o sociólogo Herbert José de Sousa afirmava que um país muda somente pelos seus costumes. Assim, pode-se afirmar que, uma vez que o principal foco das entidades são os interesses monetários, essa cultura de egoísmo não muda, impossibilitando que as organizações invistam em projetos de inclusão da parte mais velha da população em redes superiores educativas.
Dessarte, é nítido os desafios para a inclusão do idoso no ensino superior precisam de soluções pontuais. Portanto, é necessário que o Ministério da Educação, em parceria com o poder midiático, criem campanhas asistenciais, como comerciais e eventos públicos, que divulguem para a sociedade o espaço que o idoso tem por direito no ensino superior, consconcientizando as pessoas a terem uma mentalidade que incentive essa parcela mais velha a cursar uma educação avançada. Ademais, é importante que o Ministério da Economia também faça campanhas que induza as empresas a patrocinarem com recursos tecnológicos e didáticos adaptados para o idoso, auxiliando nesse processo de inclusão. Assim, talvez, as pessoas de idade avançada possam ter mais acesso às instituições de ensino superiores.