Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior
Enviada em 14/09/2020
Os anciãos, do período da Grécia Antiga, eram pessoas com mais de 60 anos que foram tratadas com muito respeito, pela sociedade, devido sua sabedoria e experiência de vida. Entretanto, na contemporaneidade brasileira, o preconceito contra idosos se manifesta cotidianamente, tendo como exemplo a dificuldade de inclusão dessas pessoas no ensino superior. Ademais, os indivíduos de mais idade que não conseguem ter acesso ao ensino superior não possuem seus direitos assegurados pelo Estado. Logo, é imprescindível a elaboração de medidas para solucionar a problemática.
Em primeiro plano, convém mencionar que de acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde)a discriminação etária, chamada de ageísmo e praticada especialmente com idosos, é o preconceito mais naturalizado do mundo. Dessa forma, o baixo número de idosos no ensino superior é, em grande parte, reflexo da violência velada que essa parcela da população sofre. Sob essa perspectiva, a situação apresentada condiz com a teoria da Violência Simbólica, proposta por Pierre Bourdieu, pois para o sociólogo o indivíduo pode ser violentado moralmente, isto é sem agressão física ou verbal. Portanto, fica evidente a necessidade de combater o ageismo, visto que prejudica a integridade dos idosos.
Em segunda análise, vale salientar que é direito do idoso ter acesso à atividades educativas. Tal fato é comprovado com a lei, sancionada, do Estatuto do Idoso que exige do Estado o apoio à criação de universidades com vagas para pessoas de mais idade e garantia de suporte às necessidades apresentadas pela faixa etária. Contudo, na realidade, muitos idosos encontram dificuldades para ingressar e se manter no curso superior, muitas vezes por problemas desenvolvidos pela idade como problemas de visão, dores no corpo e dificuldade de locomoção. A conjuntura em questão está ao encontro do livro Cidadão de Papel, escrito pelo jornalista Gilberto Dimenstein, visto que para ele o cidadão possui seu direito assegurado apenas no papel, isto é, na constituição e não em seu cotidiano. Em suma, os idosos que enfrentam dificuldades de acesso ao ensino superior se comportam como cidadãos de papel.
Diante do exposto, com intuito de sanar os desafios encontrados pelos idosos para acessar o ensino superior com qualidade, o Estatuto do Idoso em parceria com a Mídia - devido seu amplo alcance social e grande poder de persuasão sobre seu público - necessita promover palestras socioeducativas, por meio de propagandas em horários de muita audiência. Essas propagandas devem ser elaboradas por profissionais capacitados para combater o ageísmo e influenciar a população a exigir do governo e colaborar para a maior inclusão dos idosos em atividades educativas. Assim, os idosos terão seus direitos assegurados e voltarão a ser respeitados como os anciãos da Grécia Antiga.