Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior

Enviada em 18/09/2020

No Japão, país que possui a população mais envelhecida do mundo, com longevos representando quase 30 por cento de toda a sociedade, existe um feriado nacional, chamado Keiro no Hi, destinado, exclusivamente, ao respeito e sabedoria dos mais velhos. Em contraposição, o Brasil tem muito a aprender com a tradição japonesa. Com uma parcela crescente de idosos, a marginalização desse grupo, na comunidade brasileira, é uma realidade. As universidades, que deveriam, em tese, ter um suporte profissional e estrutura para receber alunos desse grupo social, não o possuem e, ademais, a falta de acesso a educação por falta de politicas públicas do governo é uma violação de um direito fundamental de qualquer cidadão.

Inicialmente, segundo postulado pelo educador Paulo Freire, a educação é um ato libertador, através do qual as pessoas seriam agentes que operam e transformam o mundo. Portanto, em uma população que, gradativamente, entra no processo de envelhecimento populacional, fornecer educação superior aos mais velhos os torna aptos a serem cidadãos mais ativos na sociedade, com opinião política, científica e conhecimento para exigir direitos, haja vista a libertação que a educação proporciona. Nesse sentido, a falta de estrutura nas universidades, que não possuem escadas e banheiros adaptados,  já que idosos possuem uma condição física que pode ser muito limitadora, além da falta de profissionais de saúde para atendimento ao idoso e professores especializados para um ensino voltado ao público longevo, são extremos agravantes da dificuldade ao acesso dos idosos ao ensino superior.

Além do problema estrutural na própria universidade, a falta de investimento do governo em transporte público de qualidade também se torna um limitante ao acesso de pessoas com idade avançada às faculdades. Muitas vezes, essas pessoas moram em regiões mais carentes, remotas ou afastadas de grandes centros urbanos não havendo transporte público que forneça o deslocamento adequado para os centros universitários. Complementado a esse fator, os ônibus que realizam os transportes, principalmente em metrópoles, ficam lotados de pessoas, e continuamente, obrigam os passageiros mais velhos a viajarem em pé, o que se torna um desconforto angustiante que desmotiva esse grupo a sair de casa.

Destarte, cabe ao governo federal, através do Ministério da Educação, alocar recursos financeiros e investir na melhoria da estrutura das universidades para receber idosos. Da mesma maneira, as secretarias de obras e infraestrutura dos municípios, devem investir no transporte urbano para a melhoria das condições de deslocamento dos mais velhos até os centros universitários. E, portanto, os idosos conquistariam seu lugar na educação e se tornariam cidadãos ativos para melhorar o Brasil.