Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior
Enviada em 25/09/2020
No Brasil, a educação é garantida constituicionalmente para todos os cidadãos, inclusive para os mais velhos que têm seus direitos reafirmado no Estatudo do Idoso, o qual rege que é obrigação da comunidade, família e Estado assegurar o ensino às pessoas da terceira idade. Entretanto, a cultura popular de que as universidades são ambientes para jovens tem afastado os idosos do processo educacional a nível superior, visto que muitas pessoas mais velhas se sentem incapazes de aprender devido à idade, o que acaba por marginalizá-las. Além disso, a pequena quantidade de projetos voltados à educação superior de pessoas dessa faixa etária é um entrave na participação de idosos nas universidades brasileiras.
Em primeira análise, é preciso destacar que os métodos e técnicas educacionais usuais priorizam exclusivamente os mais jovens, excluindo os mais velhos do processo de aprendizagem. Segundo a British Broadcastin Corporation (BBC) Brasil, grande parte dos idosos brasileiros pararam de estudar ainda jovens para se dedicarem ao trabalho, o que causou um vazio educacional durante a fase adulta desse grupo. Essa pausa nos estudos, aliada aos problemas fisiológicos da idade, impede que muitos idosos se sintam aptos ao sistema brasileiro de ensino superior, que não é inclusivo a esse grupo, o qual é formado por pessoas que pararam de estudar há algumas décadas e possuem problemas de saúde comuns a idade, como a visão turva, o que eleva a sensação de incapacidade de estudos.
Ademais, os processos de entrada nas universidades brasileiras, como os vestibulares tradicionais e o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), priorizam os grupos jovens, que têm bases educacionais formadas recentemente. Nesse sentido, embora muitas univerisdades, como a Universidade Estadual Paulista, pratiquem cursos de extensão voltados aos idosos, o número de pessoas desse grupo graduadas no nível superior ainda é muito pequeno. De acordo com o Ministério da Educação (MEC), em 2018 apenas 11% dos cidadão da terceira idade possuiam diplomas universitários no Brasil, o que ratifica a ideia de que as universidades brasileiras não são pró-ativas em atrair pessoas mais velhas para cursos de graduação.
Desse modo, torna-se necessário criar programas que incluam idosos no sistema superior de ensino. Assim, o MEC deverá criar diretrizes, como ações afirmativas específicas para cidadãos da terceira idade, que facilite a entrada de pessoas mais velhas nas universidades. Deve-se também criar mecanismos didáticos, como livros com letras maiores, que se adaptem as dificuldades naturais que a idade avançada impõe a um estudante. Somente com tais medidas pode-se vencer a exclusão do idoso no sistema universitário do Brasil.