Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior

Enviada em 09/01/2021

“Se puderes olhar, vê. Se puderes ver, repara”. A máxima do escritor José Saramgo norteia o atual cenário brasileiro, uma vez que a população idosa sofre com inúmeros desafios para dar a continuidade necessária aos estudos. Sendo assim, o preconceito constante por parte da sociedade, além da não equidade no que diz respeito ao ingresso, são fatores determinantes para a ascensão da evasão de idosos das universidades.

Visto isso, embora o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística(IBGE) estime a alta do número de idosos ativos na sociedade, o preconceito perante essa parcela da população faz-se presente, acarretanto, inclusive, desafios para a inclusão desses no ensino superior. Dado que, devido ao fato do jovem acreditar na ideia de que sabe mais do que o ancião, apenas por ter nascido em uma época mais atualizada, tecnológica e desenvolvida, o preconceito sobre a pessoa idosa acaba sendo muito presente, visto que, a exclusão dos grupos de estudo, trabalhos e tutorias afeta negativamente o estímulo do velho estudante. Prova disso, segundo a Folha de São Paulo, 31% das pessoas acima de 60 anos afirmam ter sido discriminadas por sua idade. Demonstrando, desse modo, a necessidade de uma sociedade mais empática, gentil e visionária, uma vez que ninguém é jovem para sempre.

Ademais, a população idosa sofre com o atraso dos estudos, resultando em uma dificuldade de ingresso nas Instituições de ensino (IEs). Tendo em visto que o anoso não conta com aulas e atividades a muitos anos, além de, segundo pesquisa realizada pelo IBGE, que aponta que apenas 31,1% das pessoas com mais de 60 anos utilizaram recursos tecnológicos em 2017, esses fatores contribuem para a não igualdade na hora de adentrar em uma universidade, dado que a competição com recém-formados acostumados a lidar com a tecnologia como ferramenta de estudos tornou-se uma enorme desvantagem para o idoso. Prova disso, o reitor da PUC Minas exibiu dados que mostram que dos 197 alunos de Educação a distância (EAD) da faculdade, apenas 0,5% tinham mais de 60 anos.

Fazem-se necessárias, portanto, medidas capazes de amenizar os desafios sofridos pela população idoso no momento de ingressar no ensino superior. Assim sendo, o Ministério da Educação deve disponibilizar verbas, por meio do LOA- Lei Orçamentária Anual-, para as escolas voltadas aos idosos, tendo em vista uma melhoria na educação básica desses, incluindo aulas de matemática básica, português e informática, visando um melhor preparo para a entrada dessa parcela nas universidades,  além disso, uma maior propaganda nas instituições de ensino superior sobre a importância do aprendizado da população idosa, buscando um maior acolhimento dos estudantes jovens para com essa parcela.