Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior

Enviada em 13/01/2021

Na obra literária “Cidadania no Brasil: O longo caminho”, o historiador José Murilo de Carvalho esclarece ao leitor o processo de construção do indivíduo como membro do Estado, no qual ele define o cidadão pela titularidade de seus direitos. No entanto, na contemporaneidade brasileira o desafio para inclusão de idosos no ensino superior, demonstra que essa garantia não é efetiva, pois a inserção ainda é deficitária. Logo, é notório que tanto a inércia governamental, quanto o preconceito social são fatores que mutilam os direitos e deveres do sujeito enquanto cidadão.

Diante desse cenário, é válido ressaltar que a Constituição Federal de 1988 - documento que rege todo ordenamento jurídico da nação - ratifica, no artigo 6 °, a educação como um direito de todos e dever do Estado, todavia, o estímulo para o alcance do protagonismo senil em universidades não é cumprido. Nesse sentido, a ausência do aparato estatal se torna patológica, uma vez que o país está em processo transitório de envelhecimento populacional, por conseguinte, é indispensável dispor de mecanismos que conduzam ao bem-estar social. Desse modo, é primordial uma posição jurisprudente ativa perante o impasse incentivando o conhecimento.

Sob essa perspectiva, cabe saliente ainda, que a esfera nacional é permeada por concepções estereotipadas e pejorativas sobre a velhice, como a ideia depreciativa de invalidez. Nesse viés, de acordo com o sociólogo francês Pierre Bourdieu, a dialética entre o indivíduo e a sociedade se dá de maneira hierarquizada pelos poderes, ou seja, o poder simbólico constrói a realidade e, por consequência, os conceitos individuais são um reflexo do coletivo. Tendo em vista a problemática supracitada, é crucial a reversão das opiniões preconceituosas que limitam o idoso ao processo natural da vida.

Portante, é essencial encorajar o adentramento da comunidade senil no ensino superior. Para que isso ocorra, compete ao Governo Federal - como autoridade da unidade política - promover um ingresso viável ao público da terceira idade, através de investimentos em programas específicos, como a Universidade da Maturidade (UMA), a fim de colaborar para um sistema igualitário . Ademais, é recomendável que a instituição educacional conduza os educandos a terem uma visão mais ampla sobre o envelhecimento, por intermédio de debates e palestras ministradas por profissionais de Ciências Humanas, que apresentem discurssões válidas e resultem no esclarecimento. E dessa maneira, os brasileiros possam gozar de seus direitos e serem cidadãos plenos como definido por José Murilo de Carvalho.