Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior

Enviada em 28/10/2020

O artigo 5º, da Constituição Federal de 1989, defende o direito pleno de qualquer cidadão. No entanto, percebe-se uma lacuna na garantia desse direito na questão dos desafios para a inclusão do idoso no ensino superior, o que além de grave, torna-se um problema inconstitucional. Diante dessa perspectivas, percebe-se a consolidação de problemas de contornos específicos em virtude da lenta mudança na mentalidade social e do individualismo.

A princípio, a lenta mudança na mentalidade social caracteriza-se como um complexo dificultador. Conforme Durkheim, o fato social é a maneira coletiva de pensar. Sob essa lógica, é possível perceber que a questão do descaso acerca das necessidades e direitos dos idosos brasileiros é fortemente influenciada pelo pensamento coletivo, uma vez que, se as pessoas crescem inseridas em um contexto social intolerante, a tendência é adotar esse comportamento também, o que torna a sua solução ainda mais complexa. Nesse sentido, segundo os dados do IBGE ( Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística ) , em 2055 a participação de idosos na população total será maior que a de crianças e jovens com até 29 anos, demonstrando assim a necessidade de ampliação da participação dos idosos nas faculdades brasileiras, a fim de se estabelecer uma isonomia educacional entre a população.

Além disso, a não compreensão das necessidades dos idosos brasileiros encontra terra fértil na questão do individualismo. Na obra “Modernidade Líquida”, Zygmunt Bauman defende que a pós-modernidade é fortemente influenciada pelo individualismo. A tese do sociólogo pode ser observada de maneira específica na realidade brasileira, no que tange às questões da participação dos mais velhos no ensino superior. Em virtude disso, há como consequência a falta de empatia, pois, para se colocar no lugar do outro, é preciso deixar de olhar apenas para si. Essa liquidez que influi sobre a questão do acesso às universidades pela população mais velha, funciona como um forte empecilho para sua resolução.

Portanto, o acesso de idosos ao ensino superior configura-se como um desafio para a sociedade e seus governantes. Logo, cabe ao Ministério da Educação e Cultura (MEC), junto ao Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), democratizar o ingresso nas IES por parte da população envelhecida. Para isso, deverão ser criadas ações afirmativas específicas para cidadãos de idade avançada nos programas do Governo Federal, ao passo que também serão realizadas campanhas de conscientização da população acadêmica sobre a quebra da estigmatização dos idosos. Dessa forma, garante-se um país mais humanizado e igualitário.