Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior
Enviada em 23/11/2020
No filme “O Estagiário” o protagonista é um idoso que, sem rumo com a morte da esposa, inicia após anos aposentado um novo trabalho em uma grande e moderna empresa de moda, onde encontra novos desafios e realizações em sua vida. Analogamente, na realidade, idosos aventuram-se cada vez mais em novas ocupações, principalmente o ingresso em universidades, em busca de novas perspectivas e formas de sentir-se útil. Infelizmente, no Brasil, as políticas públicas pecam muito na inclusão do idoso ao ensino superior, além da falta de acessibilidade que enfrentam, ainda muito presente em um país não preparado às necessidades dessa população.
Em primeiro lugar, o envelhecimento populacional é um fato no Brasil. Durante muito tempo a expectativa de vida não era alta e as famílias possuíam muitos filhos, o que garantia um país de população jovem. No entanto, com o aumento da qualidade de vida e desenvolvimento do país, as pessoas passaram a viver muito mais, ao mesmo tempo em que mulheres começaram a adentrar no mercado de trabalho e as taxas de fertilidade e natalidade diminuíram significativamente, como demonstram dados do IBGE. Dessa maneira, a população brasileira torna-se majoritariamente idosa e, o governo, encontra-se despreparado ao assegurar a integração da terceira idade na sociedade.
Nesse sentido, idosos desejam participar socialmente de forma ativa e, a universidade é uma das principais buscas disso. Todavia, mesmo com a existência de leis na Constituição de 1988 e artigos no Estatuto do Idoso que garantem disponibilização de cursos para a terceira idade, eles estão presentes somente no papel, sendo negligenciados na prática. Em vista disso, universidades até mesmo podem oferecer cursos voltados aos idosos, mas, por exemplo, banheiros não são adaptados à essa classe, os livros didáticos podem não ser legíveis e até mesmo o acesso por muitas escadas dificultam a presença deles nesse meio. Portanto, somente criar leis para inclusão e acessibilidade não é suficiente se não forem aplicadas de forma rigorosa e com uma estrutura realmente acolhedora.
Destarte, para resolver essa problemática, urgem-se novas medidas. Isto posto, os poderes Executivo e Legislativo devem ser reforçados, por meio de agentes de execução e fiscalização do Estatuto do Idoso, para instaurar cursos aos idosos em todas as universidades do país e fiscalizar, semanalmente, o cumprimento das devidas leis e sua inclusão. Ademais, é imprescindível que o Governo Federal destine investimentos ao Ministério da Educação voltados ao fim de melhorar a estrutura das universidades e de seus materiais de ensino, deixando-os propícios às necessidades da terceira idade, fatores que também deverão ser fiscalizados pelos agentes do Estatuto do Idoso. Por fim, espera-se que, assim, o ensino superior de qualidade possa ser uma realidade possível aos idosos do Brasil.