Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior

Enviada em 01/12/2020

No filme “Um momento pode mudar tudo”, a personagem Kate desenvolve uma doença degenerativa, o que a impede de realizar todas as atividades cotidianas e, assim, a sua inserção social se torna debilitada. Analogamente, no Brasil,diversos idosos, por serem considerados, recorrentemente, inválidos pelo governo e pela população, têm a inclusão social dificultada, sobretudo quando pretendem ingressar no Ensino Superior. Portanto, é imprescindível que haja um debate entre Estado e sociedade, a fim de que os impasses existentes para a introdução da terceira idade na graduação sejam sanados.

A priori, convém ressaltar a ideia da escritora Françoise Héritier sobre o mal começar com indiferença e resignação, baseado na conjuntura de que a educação brasileira é, devido à negligência estatal, lacunar. Dessarte, os idosos que desejam ingressar no Ensino Superior enfrentam cursos vestibulares, conteúdos e profissionais da educação norteados ao público jovem. Nesse contexto, o distanciamento temporal com os assuntos abordados nas salas de aula,a linguagem, diversas vezes, contemporânea utilizada pelos professores e o uso de tecnologias pouco vistas no cotidiano dessas pessoas- como computadores e tablets - dificultam o ingresso da terceira idade na graduação, isto é, na aprovação nos vestibulares.Assim, apesar de a Constituição Federal, na teoria, garantir o acesso à educação a todos, na prática, não é assegurado.

A posteriori, convém ressaltar a ideia de Albert Einstein acerca de o mundo não ser destruído pelo mal, mas por aqueles que o veem e não fazem nada, visto que, apesar de a sociedade brasileira reconhecer que, na Constituição Federal e no Estatuto do Idoso, a entrada no Ensino Superior é vista como direito, não reivindica a acessibilidade a esse público.Dessa forma, a frase de Émille Durkheim no que cerne à sociedade ser como um corpo biológico em que as partes devem interagir para garantir a coesão e a igualdade não se faz realidade, já que, a omissão popular frente à causa contribui para a permanência dos impasses existentes para a inclusão dos idosos na graduação - como,novamente, o uso de tecnologias e linguagens ultramodernas.

Diante disso, é evidente o descompasso entre Estado e sociedade na resolução dos erros existentes.Logo, cabe, respectivamente, ao MEC, órgão responsável pela educação no Brasil, a criação de cotas universitárias para a população idosa, mediante o envio de uma Proposta de Lei ao Congresso Federal,a fim de facilitar o ingressos dessa na graduação;e à sociedade, a divulgação, com cartazes pelas cidades, de manifestações com temas relacionados à melhoria da acessibilidade linguística e tecnológica para a terceira idade universitária. Assim, o país prezará pela educação de todos.