Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior

Enviada em 12/01/2021

O longa-metragem “Um senhor estagiário” retrata as dificuldades enfrentadas por um idoso que busca inserir-se novamente no mercado de trabalho, a partir de um estágio em uma empresa tecnológica. Nesse contexto, fora da ficção, a terceira idade enfrenta, no Brasil, muitos desafios para ser incluída não só no mercado de trabalho, mas também no ensino superior. Dessa forma, mostra-se necessária uma cuidadosa análise acerca do modelo de ensino vigente e dos impasses encontrados na adaptação desse grupo ao ambiente universitário.

A princípio, as faculdades brasileiras ainda mantém a educação centrada na figura do professor como detentor de todo o conhecimento, enquanto o aluno seria apenas um receptor desse saber. Esse modelo - criado no Iluminismo - dificulta o aprendizado de pessoas mais velhas, já que não permite a troca de conhecimento entre elas e o mestre. Logo, é preciso que esse idoso tenha um estudo diferente de uma pessoa mais jovem, devido à sua bagagem de conhecimento de vida, além da necessidade de que essa forma de estudar seja mais estimulante para ele. Sendo assim, enquanto não houver um ensino que permita a inclusão da terceira idade nas faculdades, o país continuará a conviver com problemas, como a ausência dessas pessoas no mercado de trabalho qualificado.

De outra parte, a Revolução Técnico Científica - ocorrida na segunda metade do século XX - trouxe para o mundo invenções, como o computador e a internet. No entanto, os idosos de hoje viveram esse momento da história fora do ambiente escolar e infantil, o que dificultou aprendizado precoce ao uso dessas ferramentas. Com isso, muitas dessas pessoas enfrentam desafios constantes no uso desses mecanismos, que já são vistos com frequência dentro de universidades e que são tão necessários ao ensino na atualidade. Nesse viés, é contraditório que um país que almeje tornar-se nação desenvolvida ainda encontre dificuldades de inserir a população mais velha no ambiente tecnológico.

Portanto, é preciso que os obstáculos para a inclusão do idoso à universidade sejam mitigados. Para isso, o Ministério da Educação - MEC - deve realizar projetos que tornem o ambiente universitário propício ao aprendizado da terceira idade, por meio da inserção de aulas voltadas para ensinar-la a utilizar ferramentas tecnológicas, como os computadores e celulares. Além disso, o MEC deve promover a troca de conhecimento entre professor e aluno, por meio de aulas mais colaborativas que permitam essas trocas. Essas medidas teriam a finalidade de criar condições propícias para a inserção da terceira idade no ensino superior. Assim, será possível, no futuro, haver uma mão de obra mais velha e mais qualificada disponível no mercado de trabalho brasileiro.