Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior

Enviada em 12/01/2021

A Revolução Médico Sanitária - que ocorreu no século XIX – com suas descobertas, aumentou um índice importante na sociedade: a expectativa de vida. Nesse contexto, o Brasil teve um crescimento significativo do número de idosos, porém apesar da criação de esforços para tentar inserir a terceira idade na sociedade contemporânea, o país ainda enfrenta dificuldades com a inclusão dessas pessoas no ensino superior. Desse modo, a diferença de geração entre professor e aluno e o conceito de obsolescência programada agravam cada vez mais o problema.

Em uma primeira análise, vale salientar que a diferença de linguagem e tecnologias abordadas nas salas de aula do ensino superior são extremamente excludentes para os idosos. Nesse viés, o filósofo Kant, com sua teoria de que o homem é feito daquilo que a educação faz dele, demonstra o quão importante é essa ferramenta para o indivíduo. Sob essa óptica, a falta de profissionais capacitados em tentar entender esse público e a falta de paciência com a dificuldade de dinamismo no aprendizado estimulam o idoso a abandonar o curso. Dessa forma, a lógica kantiana se mostra extremamente atual e demonstra um Brasil extremamente atrasado.

Além disso, a obsolescência programada voltada para os indivíduos agravam o problema em questão. Dessa maneira, após as Revoluções Industriais, o mercado de bens de consumo percebeu que se as coisas não estragarem ou o consumidor não se sentir estimulado a comprar, esse sistema econômico entra em crise. Sob esse prisma, a lógica transcendeu a barreira da mercadoria e passou para os seres humanos, principalmente com idade mais avançada, pois são vistos como ultrapassados ou até mesmo descartáveis. Com isso, o estímulo que a terceira idade tem de procurar se capacitar novamente para entrar no mercado de trabalho é precário.

Portanto, a dificuldade de inclusão do idoso no ensino superior é um problema que deve ser mitigado. Para isso, o Ministério da Educação deve promover capacitação necessária para os professores de universidades para que consigam se adaptar para ensinar a população da terceira idade, por meio da adição de matérias relacionadas à didática para esse público na grade curricular de licenciatura. Essa medida teria a finalidade de reinserir os idosos nas faculdades e os colocar novamente no mercado de trabalho. Logo, os impasses sociais que vieram com a Revolução Médico Sanitária seriam mitigados e o Brasil, então, poderia se considerar uma pátria mais inclusiva.