Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior
Enviada em 23/12/2020
A plena garantia do acesso à educação é, indubitavelmente, elemento promotor de uma sociedade responsável no que tange a inclusão social. No Brasil, entretanto, a ineficácia governamental e a negligência familiar denotam desafios para a inserção do idoso no ensino superior. Dessa forma, analisar as causas da problemática é medida que se impõe, a fim de mitigar seus impactos.
Convém ressaltar, a princípio, que a insuficiência das leis é um fator determinante para a persistência do problema. Sob tal ótica, apesar de existir a lei 13.535/2017, que exige das Instituições de Ensino Superior – IES a oferta de cursos e programas extensivos para os idosos, todavia, tal medida não é suficiente para promover o ingresso da terceira idade ao ensino superior. Nesse sentido, é visível a falta de ações do governo ao analisar que os candidatos de idade avançada e que, em sua maioria, terminaram o ensino médio há anos, concorrem com jovens recém-formados e, portanto, mais preparados para os vestibulares. Assim, tal fato ratifica o pensamento da Hanna Arendt ao defender que o pluralismo político, fundamentado no respeito as diferenças deveria promover a inclusão. Ademais, a falta de incentivo familiar é outro fator que corrobora a problemática. A esse respeito, o Estatuto do Idoso assegura que garantir o direito à educação não é apenas responsabilidade do governo, mas também, da família. À luz dessa ideia, a realidade brasileira aponta para uma apatia familiar, à medida que parte do princípio de que o envelhecimento condiciona o sujeito social, idoso a um quadro de improdutividade, e assim de marginalização. Esse estereótipo errôneo, por conseguinte, expõe eles a preconceitos, tal fato constatado pelo o jornal Folha de São Paulo, ao registrar que 31% das pessoas acima dos 60 anos afirmam ter sido discriminados por sua idade. Isso gera, então, baixa autoestima e desmotivação para entrar na faculdade.
Destarte, infere-se que existem barreiras a serem superadas no cenário de inclusão do idoso ao ensino superior. Cabe ao Governo, por meio do Ministério da Educação, criar um sistema de acesso especialmente para esse grupo, por meio de cotas (visto que eles irão concorrer somente entre pessoas da mesma faixa etária), a fim de aumentar o número de idosos no terceiro grau. Além disso, a Mídia deve desenvolver propagandas para conscientizar a família da importância em garantir o acesso do idoso à educação, com o intuito do grupo familiar incentivar esse grupo. Dessa forma, os entraves para o acesso dos anciãos no curso de graduação serão diminuídos.