Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior

Enviada em 13/01/2021

A biologia nos mostra com Darwin que a sobrevivência está intrínsicamente conectada à adaptação frente as novas circunstâncias. Paralelo ao conceito biológico é possível compara-lo no espectro social, uma vez que os idosos sofrem não uma seleção natural, mas sim informacional, que é catalisada pela falta de valorização dessa população, bem como pela precária alfabetização tecnológica. Esse temerário quadro distancia a teceira idade da educação superior e deve, pois, ser revertido a fim de garantir a inclusão.

Precipuamente, é fundamental pontuar que um dos desafios para a profissionalização da população senil é uma cultura de desvalorização. Nesse sentido, Simone de Beauvoir definiu, em seu livro " A velhice", a invisibilidade social como um processo de super destaque de grupos economicamente ativos em negligência dos idosos com menor destaque produtivo. Ocorre que esse sistema excludente, baseado na perigosa visão capitalista, corrobora com o desestímulo da populacão mais velha em ingressar nas faculdades, pois se substâncial parcela da população é invisível o ambiente educaional não será adaptado e, portanto, excludente. Ora, enquanto os idosos não forem valorizados a sua educação não terá prioridade.

Somado aos aspectos supracitados, outro lastimável fator que impede a graduação da parcela afetada, é a seleção tecnológica. Sob tal ótica, com a revolução técnico-informacional, da segunda metade do século XX, o mundo reestruturou suas formas de interação e tornou-se globalisado, de maneira que a habilidade com a informática e a internet é indispensável para as novas estruturas sociais, desde o ensino básico e superior até o meio laboral. Entretanto, segundo dados do centro regional de estudos para o desenvolvimento, no Brasil, 73% das pessoas acima de 60 anos são inaptas a lidar com computadores e celulares em razão  da dificuldade de entendimento. Logo, percebe-se que, para a educação profissionalizante assegurar a inserção da faixa etária senil, medidas de alfabetização tecnológica precisam estar anexadas.

Fica claro, portanto, que para os mais velhos possuírem possibilidade de graduação as instituições sociais devem adaptar-se. Destarte, urge que o Mec, em parceria com as unidades privadas, estimule o projeto nacional " Nuca é tarde para aprender", que irá motivar uma adequação das universidades federais e particulares à terceira idade, por meio da obrigatoriedade em oferecer aulas extracurriculares de informática de forma objetiva e simplificada. Esse projeto terá a finalidade de valorizar o potencial econômico dos idosos e oferecer condições para que eles não sejam barrados pela exclusão informacional. Assim, o ensino superior não será artifício do “Darwinismo tecnológico”