Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior

Enviada em 28/12/2020

Em 1988, representantes do povo - reunidos em Assembleia Nacional Constituinte - instituíram um Estado democrático a fim de assegurar qualidade de vida e educação como valores supremos de uma sociedade fraterna. Todavia, as estruturas educacionais voltadas ao idoso não acompanharam o aumento elevado da expectativa de vida, o que impõe dificuldades para inclusão senil no ensino superior, em especial no que concerne à visão popular do idoso e à negligência social. Sendo assim, é fulcral a adoção de medidas que mitiguem o infortúnio.

À vista desse cenário, a concepção trivial sobre o idoso evidencia o preconceito contra esse grupo social. Sob esta ótica iminente, o escritor alemão Franz Kafka aborda, em sua obra “A Metamorfose”, como o papel social das pessoas é definido pela sua utilidade. Nessa lógica, a divisão de tarefas denunciada por Kafka é influenciada pelo ageísmo - errônea relação entre idade e incapacidade -, que inviabiliza a atuação senior na educação, porque os indivíduos com mais idade “perdem” sua função no corpo social e são impedidos de terem acesso a seus direitos, como educação. Dessarte, é medular excluir a ideia da fragilidade do idoso do imaginário popular

Outrossim, a indiferença com que o idoso é tratado corrobora para a permanência do problema. Consoante a isso, a filósofa existencialista Simone de Beavouir alerta, em sua obra “A Velhice”, sobre a invisibilidade social sofrida pelas pessoas de idade avançada. De maneira análoga, a tese defendida pela filósofa é parte da realidade atual, porque o idoso é marginalizado pelo corpo social e, de maneira velada, excluído dos ambientes públicos, como universidades. Destarte, revela-se a imprescindibilidade de ampliar a circulação sênior.

Urge, portanto, que o Ministério da Educação, responsável por garantir o acesso ao ensino igualitário e de qualidade, deve adequar os cursos e torná-los mais atrativos para a participação do idoso, por intermédio de cursos com horários especiais e profissionais da Andragogia, para aumentar a absorção e aprendizado da aula. Essa iniciativa teria o fito de ampliar a porcentagem de idosos que participam das universidades. Assim, os direitos previstos em Assembleia Nacional Constituinte seriam garantidos para todas as faixas etárias.