Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior
Enviada em 30/12/2020
Durante o Governo Sarney, o Brasil foi dotado de regalias de forma imensurável. Sabe-se que um dos principais benefícios concedidos diz respeito ao direito à educação, assegurados pela Constituição de 1988, o qual explicita políticas que visam o pleno desenvolvimento pessoal, bem como a garantia da dignidade humana. Todavia, tal mecanismo legal apresenta-se ineficaz, visto que há desafios para inclusão do idoso no ensino superior, seja pelo abismo educacional, seja pela desintegração dos laços afetivos.
“Exaustos e correndo e dopados”. Essa obra da autora Eliane Brum, retrata como o ritmo de vida acelerado faz com que as pessoas não tenham tempo para apoiar as necessidades públicas, fato este observado no abismo educacional, isto é, um ensino desqualificado, já que existe um descuido goververnamental em não investir na educação de todas as faixas etárias. Exemplo disso é o ensino metódico e memorizador de parcela das escolas, de maneira a comprometer a ascensão social do indivíduo. Em consequência, nota-se a violência velada -crime silencioso que priva a autonomia humana acerca dos seus direitos- como uma ineficácia do governo em cumprir prerrogativas legais -acesso á educação.
Outrossim, à luz do sociólogo Zygmunt Bauman, o ser humano “liquido” adotou um novo modo de pensar, pois essa nova sociedade - com laços afetivos fragmentados, estética e capitalista - vive sem questionar, o que, realmente, acontece à sua volta. Dito isso, observa-se que no processo cultural foi normalizado muitos pensamentos nocivos, os quais transmitem às futuras gerações um preconceito com relação aos idosos que enfrentam o ambiente escolar, haja vista que o padrão do corpo social na contemporaneidade é formar-se enquanto jovem. Assim, tal comportamento precisa ser interrompido para que não crie, como prejuízo ao coletivo, a exclusão social desse público e, sobretudo, uma população “líquida”.
Ao governo, portanto, cabe a função de destinar parte do PIB aos órgãos educativos. Essa ação deverá ocorrerá mediante o direcionamento dessa verba às campanhas socioeducativas, cujo propósito será incentivar a educação do idoso e combater o preconceito, uma vez que tal atitude torna a sociedade um agente ativo nas questões sociais. Isso terá o intuito de remediar o elucidado por Brum e Arendt, para a plena fluidez dos direitos constitucionais.