Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior
Enviada em 01/01/2021
Conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil vive mudanças em sua estrutura etária, com um progressivo crescimento da população da terceira idade. Nesse sentido, surge a necessidade de promover a inserção democrática da pessoa idosa em todas as esferas sociais, a destacar o ensino superior. Entretanto, a permanente negligência governamental e a inacessibilidade tornam-se desafios a superar.
Vale destacar, inicialmente, a inércia da ação governamental como ponto preocupante da conjuntura. Sob esse viés, a elaboração da Constituição Cidadã, há 32 anos, baseou-se na garantia irrestrita e plena da educação para todo brasileiro. Contudo, percebe-se que a realidade prática destoa da teoria legislativa, uma vez que projeções do portal de notícias G1 indicam que menos de 3% dos longevos estão inseridos efetivamente em cursos universitários. Tal panorama, portanto, fere direitos basilares e inalienáveis e, por isso, deve ser eficazmente alterado.
Em segundo plano, o precário e ineficaz sistema de acessibilidade é fator agravante da questão. Nessa perspectiva, o sociólogo Bourdieu, em seu conceito de Violência Simbólica, aponta todos os atos de omissão presentes na comunidade moderna como agressivos e opressores. Assim sendo, a tessitura social é violenta ao ignorar a demanda dos estudantes na faixa etária avançada por materiais estruturais como livros, mesas, cadeiras e armários devidamente adaptados. Logo, medidas devem ser aplicadas no Brasil para superar os presentes entraves.
Diante disso, compete ao Ministério da Educação aplicar reformas estruturais nos centros instrutivos, por meio de uma parceria a ser firmada com a Receita Federal. Por sua vez, a colaboração deve garantir o destino de 2% de toda arrecadação tributária anual para financiar, unicamente, a aquisição de materiais de aprendizagem adequadas aos indivíduos mais velhos. Com isso, objetiva-se fomentar a atividade estatal na área e promover a democratização do acesso ao ensino superior. Dessa maneira,
a mudança etária indicada pelo IBGE há de ser segura e positiva.