Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior
Enviada em 02/01/2021
Para Platão, filósofo grego da Antiguidade, a qualidade de vida ultrapassa a própria existência, pois, para ele, o importante não é viver, mas viver bem. Contudo, a exclusão do idoso no ensino superior, sobretudo no Brasil atual, impede que essa população viva o ideal de vida platônico, o que configura um grave problema social. Isso se explica não só pelo despreparo de universidades públicas, mas também pela exclusão do idoso do meio digital. Assim, torna-se imprescindível a análise de tais fatores a fim de liquidar esse impasse.
A princípio, é imperioso destacar que o tema em questão é fruto da falta de estrutura das universidades públicas brasileiras. De acordo com uma pesquisa divulgada em 2019 pela Organização para Cooperação do Desenvolvimento Econômico, o Brasil encontra-se abaixo do nível médio mundial no investimento em educação. Sob tal ótica, o pouco investimento estatal nesse setor faz com que os centros públicos de ensino não possuam os recursos necessários para incluir o idoso em seu cotidiano, como salas de aula adaptadas, elevadores que facilitem o deslocamento e até mesmo enfermarias capacitadas a prestar atendimentos adequados de emergência. Em virtude disso, o Estado não cumpre o seu dever social de garantia do bem-estar populacional, como descrito por Thomas Hobbes, bem como os idosos se sentem excluídos do meio acadêmico. Logo, a alteração desse é urgente.
Outrossim, a problemática supracitado deriva ainda da exclusão digital desse público. Com o advento da Revolução Técnico-Científico-Informacional e das redes sociais, a dinâmica das relações humanas passou a ser ditada no meio virtual. Entretanto, muitos indivíduos (hoje com 60 anos ou mais) não se adaptaram a essa nova realidade e, por isso, encontram dificuldades de se inserir no ensino superior. Isso porque, no cenário contemporâneo, saber utilizar as tecnologias à disposição é um pré-requisito, já que diversos trabalhos, pesquisas e projetos são desenvolvidos na internet por meio de computadores e “smartphones”. Desse modo, é fulcral que ocorra a inserção deles no meio digital.
Dessarte, de modo a garantir plena inclusão do idoso no ensino superior, medidas devem ser tomadas por órgãos de autoridade. Primeiramente, cabe ao Ministério da Economia destinar mais verba para o desenvolvimento de uma estrutura adequada para receber estudantes idosos nas universidades públicas. Isso deve ser feito mediante planos econômicos de integração na educação - os quais contemplem a necessidade de disponibilizar ambientes adaptados às necessidades desse público - para que esses indivíduos estejam plenamente integrados no meio acadêmico. Ademais, é dever do Ministério da Educação disponibilizar cursos gratuitos, com professores didáticos, os quais ensinem os idosos a utilizar as ferramentas digitais do mundo globalizado para que, então, estejam incluídos nele.