Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior

Enviada em 24/06/2021

A Gerúsia - conselho de cidadãos espartanos, da Antiguidade Clássica - era composta exclusivamente por sujeitos idosos, caracterizados como sábios em virtude de sua vasta experiência e, por isso, tinham grande prestígio social. Não obstante, ao tomar como base o cenário brasileiro contemporâneo, observa-se que, diferentemente do contexto grego do século X a.c, muitos idosos encontram desafios em diversas áreas, como à entrada no ensino superior. Diante desse paradigma, cabe analisar o preconceito social, bem como a falta de capacitação desses indivíduos.

Nessa perspectiva, é notório que a parcela supracitada enfrenta grande estigma em relação ao estudo - que, para além da necessidade de qualificação dos tais,  em face das reformas previdenciárias, denota uma realização pessoal para aqueles que, antes,  não tiveram oportunidade. Essa questão pode ser explicada, sobretudo, porque existe um pensamento equivocado que se baseia no viés de que o período correto para estudar é na juventude,  o que desanima esses sujeitos e faz com que eles fiquem em estágio de alheiamento. Nesse sentido, partindo do pensamento do escritor mineiro Rubem Alves, para quem “a sociedade tem um lugar preciso para os velhos”, percebe-se que o pensamento imposto e naturalizado de que esses indivíduos, por estarem no “final da vida”, devem abdicar de seus sonhos, perpetua o preconceito e os desmotiva a entrarem no ensino superior.

Outrossim, a ausência de políticas que visem ensinar os idosos torna-se prejudicial à medida que o Brasil, segundo o jornal O GLOBO, possui uma população gradualmente envelhecida, com cerca de 30 milhões de indivíduos e com demanda de crianças diminuta. Dessarte, fica clara a importância que a qualificação profissional possui, sendo que o desmazelamento para com a inserção dos tais nas universidades, por exemplo, acarreta um ciclo, haja vista que a anomia - termo caracterizado pelo sociólogo francês Émile Durkheim como a ausência ou desintegração das normas sociais - para com a disponibilização de oportunidades de ensino inviabiliza a aquisição do conhecimento necessário para, inclusive, o ramo profissional.

Portanto, cabe ao Ministério da Cidadania elaborar simpósios, propagados por meios midiáticos, como internet e televisão, e redigidos por profissionais na área de Recursos Humanos, a fim de extinguir os olhares preconceituosos que são entrave para a inclusão do idoso no ensino superior. Além disso, compete ao referido órgão, mediante subsídios governamentais, os inserir às universidades, por meio de cotas aos que requisitarem e aos que, prioritariamente, não tenham formação em outra área, a fim de disponibilizar oportunidades para a sua inserção ao aprendizado. Almeja-se, com essas medidas, que, tal como na Antiguidade Clássica, os idosos sejam valorizados.