Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior
Enviada em 26/06/2021
A Gerúsia - conselho de cidadãos espartanos, da Antiguidade Clássica - era composta exclusivamente por sujeitos da terceira idade, caracterizados como sábios em virtude de sua vasta experiência e, por isso, tinham grande prestígio social. Não obstante, ao tomar como base o cenário brasileiro contemporâneo, observa-se que, diferentemente do contexto grego do século X a.c, muitos idosos encontram desafios em diversas áreas, como à entrada no ensino superior. Diante disso, é fundamental analisar o preconceito social, bem como a falta de capacitação desses indivíduos.
Nessa perspectiva, é notório que os idosos enfrentam grande estigma em relação ao estudo - que, além de necessitarem de qualificação, em face das reformas previdenciárias, representa uma realização pessoal para os que não tiveram oportunidade. Essa questão pode ser explicada, sobretudo, porque existe um pensamento equivocado que se baseia no viés de que o período correto para estudar é na juventude, o que desanima esses sujeitos e faz com que eles fiquem em estágio de alheamento. Nesse sentido, partindo do pensamento do escritor mineiro Rubem Alves, para quem “a sociedade tem um lugar preciso para os velhos”, percebe-se que o pensamento imposto e naturalizado de que esses indivíduos, por estarem no “final da vida”, devem abdicar de seus sonhos, perpetua o preconceito e os desmotiva a entrarem no ensino superior.
Outrossim, a ausência de políticas que visem ensinar os idosos torna-se prejudicial à medida que o Brasil, segundo o jornal O GLOBO, possui uma população gradualmente envelhecida, com cerca de 30 milhões de indivíduos. Dessarte, fica clara a importância que a qualificação profissional possui, sendo que o descaso para com a inserção dos indivíduos que estão na terceira idade nas universidades, por exemplo, acarreta um ciclo, haja vista que a anomia para com a disponibilização de oportunidades de ensino inviabiliza a aquisição do conhecimento necessário para, inclusive, o ramo profissional.
Portanto, para a resolução do impasse, compete ao Ministério da Cidadania elaborar simpósios propagados por meios midiáticos, como internet e televisão, e redigidos por profissionais na área dos Recursos Humanos, a fim de extinguir os olhares preconceituosos existentes na sociedade, que são entrave para a inclusão do idoso no ensino superior. Além disso, cabe ao referido órgão, com o auxílio de subsídios governamentais, inserir os idosos nas universidades, por meio de cotas aos que requisitarem e aos que, prioritariamente, não tenham formação em outra área, a fim de disponibilizar oportunidades para o aprendizado desses indivíduos. Almeja-se, com essas medidas, que, tal como na Antiguidade Clássica, os idosos sejam valorizados.