Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior

Enviada em 15/07/2021

Para o educador Paulo Freire, a educação, por meio de seu potencial transformador, é uma forma de exercício da liberdade. Nesse sentido, destaca-se a importância de garantir seu acesso a todos os cidadãos. Contudo, no Brasil, há falta de incentivo e ferramentas para incentivar o acesso da terceira idade ao ensino superior, o que impede essa parcela de desfrutar dos benefícios da graduação. Faz-se necessário, então, mudanças que visem integrar os idosos às universidades.

Inicialmente, cabe destacar a importância da participação dos idosos no ensino superior. Segundo dados do IBGE, em 2060, 26,7% da população será considerada idosa. De fato, o aumento da população idosa em um país tende a gerar maiores gastos previdenciários, bem como diminuir a mão de obra e a população economicamente ativa. Esse cenário mostra a urgência de maiores medidas de inclusão do idoso no ensino superior, pois, com isso, essas pessoas teriam motivos para continuarem ativos no mercado de trabalho. Isso resulta não apenas na melhora a qualidade de vida dos mais velhos pelo aumento da renda proporcionada pela qualificação, mas também evita problemas econômicos no país pelo futuro ônus demográfico.

Entretanto, o pleno acesso dessa faixa etária à essa modalidade de ensino esbarra em alguns desafios. De acordo com a filósofa Hannah Arendt, em sua teoria sobre o Espaço Público, as instituições públicas precisam ser inclusivas a toda sociedade para que possam exercer genuinamente a sua função. No entanto, o baixo incentivo do Estado e da sociedade à formação superior dos idosos, o qual se manifesta na falta de ferramentas que facilitem o ensino e aprendizagem dessa faixa etária, bem como no preconceito que essas pessoas enfrentam por serem consideradas incapazes, excluem esse grupo da vida acadêmica. Consequentemente, deixa-se de aproveitar o potencial dessas pessoas, que deixam de contribuir social e economicamente pela anulação de seu direito à educação, o qual é garantido, na teoria, pelo artigo 6° da Constituição de 1988.

Portanto, urgem medidas governamentais para mudar esse cenário. Para isso, o Ministério da Educação, por meio de uma parceria com instituições pública e privadas, deve estimular e subsidiar a oferta de cursos no ensino superior especialmente para idosos, os quais devem ser adaptados com uma metodologia diferenciada para as necessidades dessa idade. Ademais, a mídia pode incentivar essas pessoas a procurarem esses cursos, mostrando casos de sucesso de idosos que ingressaram no ensino superior. Desse modo, será possível incluir os idosos no ensino superior.