Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior
Enviada em 06/10/2021
O filme “Uma lição de vida” introduz uma temática de preconceitos e a luta de idosos por direitos, abordando, também, as dificuldades destes ingressarem no excludente mundo acadêmico. Fora da ficção, é notório que a obra possui, infelizmente, verossimilhança alta no que tange a um tema muito relevante no século vinte e um: Os desafios para a inclusão do idoso no ensino superior do Brasil. Diante desse cenário, é pertinente salientar que a inércia governamental é um fator que provoca as desigualdades no acesso ao ensino, dando manutenção ao problema citado.
Em primeira análise, fica evidente que o Governo Federal, como maior órgão do país, tem a função de promover a mudança necessária na temática, conquanto ele não a faz. Segundo a filósofa moderna Hannah Arendt, o âmbito governamental passa, mesmo que em doses distintas, doutrinas de pensamentos ao seu povo, guiadas, mormente, por seus projetos e programas sociais. Desse modo, entende-se que tal teoria se aplica à atual conjuntura brasileira, visto que é indiscutível a indiferença do Estado no que diz respeito aos obstáculos para o ingresso de idosos no ambiente universitário, fato esse que provoca as disparidades de acesso ao ensino entre as faixas etárias. Em suma, fica evidente que o atraso nessa inclusão nos cursos de graduação é gerado, sobretudo, pela inércia do Estado, trazendo, logo, prejuízos para outros setores da sociedade.
Ademais, torna-se passível de compreensão que há uma falta de equidade na questão. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, IBGE, menos de 4% dos alunos de faculdades públicas são pessoas com mais de 60 anos de idade. Ainda nesse sentido, vale ressaltar a obra cinematográfica “Uma lição de vida”, a qual o personagem principal é um senhor que tem muita vontade de entrar neste ambiente acadêmico, e, no decorrer do filme, mais pessoas, dessa mesma faixa etária, aparecem com esse pensamento, não obstante, nem todos eles conseguem concretizar este desejo. Nessa lógica, correlatando os fatos, fica evidenciado que o acesso para os idosos no ensino superior é um grande obstáculo a ser resolvido, pois, como demostrado, muitos deles querem aprender mais ou se formar em algo, porém não possuem as chances imperativas para isso.
Destarte, em vista do fatos supracitados, é notória a necessidade de intervenção. A fim de facilitar a inclusão de idosos no ensino superior, urge ao Ministério da Educação criar cotas acadêmicas voltadas para essas faixas etárias, por meio de universidades ou concursos de graduação públicos. Isso pode ocorrer, por exemplo, com uma porcentagem das vagas totais destinadas aos que possuem 60 anos ou mais. Desse modo, espera-se não apenas que se incentive e crie bases para essa inclusão na universidade, mas também que se molde uma sociedade que apoia a luta do filme “Uma lição de vida”.