Desafios para a inclusão do idoso no ensino superior

Enviada em 13/02/2022

“O amor por princípio, a ordem por base; o progresso por fim”. Esse lema positivista, formulado pelo filósofo francês Auguste Comte, inspirou a frase política “Ordem e Progresso” exposta na célebre bandeira nacional. No entanto, o cenário desafiador vivenciado no Brasil representa uma antítese à máxima do símbolo pátrio, uma vez que a baixa inclusão de idosos no ensino superior - grave problema a ser enfrentado pela sociedade – resulta na desordem e no retrocesso do desenvolvimento social. Desse modo, não só a negligência do Estado, como também a falta de empatia - reflexo do individualismo - solidificam tal mazela.

A princípio, é interessante pontuar que a negligência do Estado é uma das causas do problema no país. De acordo com a Constituição Federal de 1988, o acesso a educação é um direito social. No entanto, infelizmente, o Estado não atua em defesa do ponto de vista coletivo previsto constitucionalmente, já que grande parte dos idosos ainda sofre com essa disparidade. Nesse prisma, tal sofrimento ocorre pela falta de incentivos do Estado em prol da entrada de cidadãos da maior idade nas universidades, visto que o governo erroneamente acredita que a velhice é um período que apenas gera despezas e não contribui para o desenvolvimento da nação.

Além disso, a problemática encontra terra fértil no individualismo e na falta de empatia. Nesse contexto, a filósofa alemã Hannah Arendt, em seu conceito de “banalidade do mal”, reflete sobre o processo de massificação da sociedade, o qual formou indivíduos incapazes de realizar julgamentos morais, tornando-se alienados que ignoram problemas que atingem grupos minoritários. Posto isso, é notório que a omissão dos cidadãos que usufruem do direito a educação em sua totalidade é, indubitavelmente, um grande empecilho na universalização desse direito social tão imporatante.

Portanto, medidas capazes de incluir os cidadãos da terceira idade no ensino superior são imprescíndiveis. Dessarte, o Estado - na condição de garantidor dos direitos individuais - deve, por meio das universidades federais, promover programas de ações afirmativas que corrijam as injustiças que excluem os mais velhos do ensino superior. Assim, o Brasil andará rumo à ordem e ao progresso.