Desafios para a inclusão educacional de pessoas cegas no Brasil
Enviada em 15/10/2026
Na obra ‘Quarto de Despejo’ , de Carolina Maria de Jesus, evidencia-se o apagamento social e a desassistência institucional imposta aos indivíduos que ocupam as margens da sociedade. Para além das páginas, a realidade converge com o relato da autora, haja vista os desafios para inclusão educacional de pessoas cegas. Nesse contexto, esse impasse é alimentado tanto pela inoperância estatal quanto pelo preconceito da sociedade.
Em primeira análise, a inoperância do poder público atua como vetor desse entrave. Sob essa ótica, o geógrafo Milton Santos, ao cunhar o conceito de “Cidadanias Mutiladas”, demonstra que a omissão governamental impede a efetivação dos direitos essenciais reduzindo-as a meras formalidades, dinâmica constatada na falha do Estado em garantir acessibilidade a pessoas cegas no ambiente educacional. Isso ocorre porque a ausência de investimentos direcionados à area, como verbas para a instalação de pisos táteis em escolas e faculdades, gera vazios assistênciais que dificultam o acesso de deficiêntes visuais a esses ambientes. Assim, essa atitude compromete a efetivação do direito a educa- ção para esses indivíduos.
Em segunda análise, o preconceito enraizado na sociedade sedimenta a permanência do problema. Nesse viés, a perspectiva sociológica do capacitismo expõe a discriminação estrutural que julga pessoas cegas inseridas no sistema educacional como incapazes, reduzindo-as à marginalidade. Isso ocorre porque a falta de empatia coletiva e a perpetuação de estigmas fazem com que a população trate a inclusão como um favor e não como um direito fundamental. Essa realidade é evidenciada na atitude de ocupação indevida de vagas reservadas para tal grupo. Dessa forma, a estigmatização inviabiliza a integração com os institutos de ensino.
Portanto, faz-se necessário agir. Para tanto, cabe ao Ministério da Cidadania combater os desafios para a inclusão educacional de pessoas cegas . Essa medida deve ser realizada por meio da destinação de verbas públicas para a instalação de pisos táteis nas instituições de ensino, bem como na fiscalização de vagas destina-das a essa população. Com isso, será possível mitigar esse dilema, como também superar a lógica de marginalização retratada na obra de Carolina.